Tsipora Rochlin

ANOS

I

Anos, anos, anos de juventude,
Ah…
Há quão longo tempo já se esvaíram…
Quantos serão deixados para trás…
Quantos ventos…
Quentes.
Frios.

Quantos nevoeiros: rosas, azuis,
Quantos céus pesados, cinzentos.
Quantas nuvens na intempérie
Quantos relâmpagos, quanto tremor.

Quanto delírio pela espera
Quantas promessas me tornaram ofendida
Alguém iludido, como alguém em sua tenra infância.
Ah!
Há quanto tempo já se esvaíram…

Parece que foi ontem, eu lamentava minha vida,
Minha juventude.

Como será que de repente aconteceu tal pulo?

II

Tal qual um cervo que foi alvejado
Bem em meio a sua alegria de viver
Tal como alguém não enxerga,
Que está ofuscado pelo sol poente.

Eu não acredito! Eu não acredito!
Eu mesma não acredito que esteja de fato tão envelhecida e excluída,
Tal como um cervo da floresta.

E eu ainda possuo o tremor do amor
E o sofrimento do amor
E sobre mim, eu mesma ainda não sou
O governante, o senhor.

( Tsipora Rochlin )

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *