Ricardo Aguiar

DISTO – Ricardo Aguiar
É só felicidade durante essa sua ausência
Os casais se amam, com a mesma indecência,
Cantam os pássaros e, na mesma essência, os que se banham
Gritam os jogadores que ganham, castos da alegria,
E só começou o dia…

É só luminosidade ante esse apartamento
Estão colados os biscoitos recheados
Noivos entrelaçados pelos braços, bebem afoitos
Outros, embriagados, cambaleiam abraçados pela cidade,
A saudade prende uma amizade, pede para não ir,
Enquanto,enfim, chega ao fim a tarde…

E a noite que todos esperavam para lograr, chega
Nas mesas, cervejas, ouve-se o libar boêmio à nada e ninguém
Partilhamento e felicidade… presenças que se iluminam…
E esse convênio de obscuridade, parte, soledade e homem
Que aparece, mas some nos sorrisos
Sou eu, isto… disto de ti, amor…
Só vejo tudo que contigo sinto,
mas não sinto tudo o que vejo…

(Ricardo Aguiar)

*

BEETHOVEN E OS QUE CHORAM

Toque Beethoven…
Eu não quero mais nada novo
Toque Beethoven…
Essa é a sinfonia de um antigo corpo
Que perdeu um amor jovem
Mas não tem forças para procurar outro.
Toque até que só as notas sobrem
Pois o vento logo me levará
Enquanto minhas palavras dissolvem.
Sei que enquanto o piano cantar
Deus pedirá aos anjos que louvem
Teus dedos que o homem podem tocar
Toque Beethoven…
Pois enquanto essas lágrimas rolam
Sei que todos que amam te ouvem…

(Ricardo Aguiar)

*

DÚVIDAS

Quantas armadilhas cabem nesse olhar?, me pergunto
Assunto de tantas dúvidas da carne que enchem meu corpo
Sempre deixo uns momentos soltos por não saber evitar-lhe
Nem penso se caem bem meus olhos nos teus desse jeito
E meu Deus! que é que fiz para não merecer-lhe?
Meu Deus! o que é que se diz a um ser desses? não?…

Insiste o pensamento mesmo que eu insista que pare
Dás-lhe alimento, para meu desespero discreto
Tento, artista, despistar-lhe do meu incorreto intento,
Mas uma pista deixar-lhe por certo que entenda-o inteiro…
meu medo é desejo de ter-lhe a pele perto
e fere que seja ela meu freio…serás passageiro.

(Ricardo Aguiar)

*

INTERMITÊNCIA

Esse ininterrupto desejo vem em quadros de sintomas modernos
Borrões internos definem, pois definham,
vícios com constrastes sutis…
Um ruçar corrupto que inebria a razão, o vício…
Diz-se que impede até os dilectos de aunar virtudes.
Mais!, faz rude o quedo sem seu alento adecto…
E eu, não mais adepto, fujo e busco um outro porto,
sem súcias astutas ou perguntas demais…
Mas terei esse lesim na mente, mesmo livre o corpo,
E, desse ponto, sou intermitente para sempre…

(Ricardo Aguiar)

*

POESIA DE BAR

Poesia de bar
Bêbados gritam, já não sabem falar
Segredos que se agitam,
A mente louca
Cuspindo pela mesma boca
Coisas que ninguém devia escutar

Poesia boêmia
Dos que batucam na mesa
Alguma certeza antiga
Pensada na hora
Dizem que a próxima é ir embora
“Singular demais”,
Como diria Noêmia

Poesia de boteco
Som brega de fundo,
Conversas sem assunto certo
Brigas bobas de contentes
Sorridentes tortos
Quase mortos pelo mundo
Choram compulsivos, ridículos e cobertos de sentido

Poesia cantada
Para os que amanhã de manhã
Relembrarão o prazer de uma
Boa água gelada

(Ricardo Aguiar)

*

PRA ONDE SIGO

Diz pra onde sigo, Pai.
Pois o medo do perigo, mesmo Contigo,
me pegou de jeito…
Diz, Pai…
De que me protejo?
Se estou tão sujeito a morrer na praia
E a vida me cobra o que tenho de menos,
Os dedos pequenos para segurar com força
à saia da perseverança.
Por que, meu Senhor, é tão impossível
ter a fé de uma criança?
Aumenta, por favor, minha maior esperança,
Atenta meus olhos…Livra-me dos pontos-cegos.
Dá-me Sol à meia-noite como se dia fosse
No desespero empresta-me sabedoria
Na vitória… companhia.

(Ricardo Aguiar)

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