Rainer Maria Rilke – A Pantera

Rainer Maria Rilke – A Pantera

(No Jardin des Plantes, Paris)

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

( Rainer Maria Rilke )
(tradução de Augusto de Campos)

Saiba mais sobre o autor na Wikipedia

Leia mais poemas de poetas famosos

S2

2 respostas

  1. A PANTERA – Trad. José Paulo Paes

    (No Jardin des Plantes, Paris)

    Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
    está fatigado, já nada retém.
    É como se existisse uma infinidade
    de grades e mundo nenhum mais além.

    O seu passo elástico e macio, dentro
    do círculo menor, a cada volta urde
    como que uma dança de força: no centro
    delas, uma vontade maior se aturde.

    Certas vezes, a cortina das pupilas
    ergue-se em silêncio. – Uma imagem então
    penetra, a calma dos membros tensos trilha –
    e se apaga quando chega ao coração.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.