Psicologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Outras poesias do mesmo autor(a):

Vencedor

Toma as espadas rútilas, guerreiro, E á rutilância das espadas, toma A adaga de aço, o gládio de aço, e doma Meu coração –

Leia a Poesia »

Soneto

A Frederico Nietzsche Para que nesta vida o espírito esfalfaste Em vãs meditações, homem meditabundo? – Escalpelaste todo o cadáver do mundo E, por

Leia a Poesia »

Soneto

Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte E Ela era a minha estrela, o

Leia a Poesia »

Trevas

Haverá, por hipótese, nas geenas Luz bastante fulmínea que transforme Dentro da noite cavernosa e enorme Minhas trevas anímicas serenas?! Raio horrendo haverá que

Leia a Poesia »

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura e… corte Minha singularíssima pessoa. Que importa a mim que a bicharia roa Todo o meu coração depois da morte?!

Leia a Poesia »

A Esperança

A Esperança não murcha, ela não cansa, Também como ela não sucumbe a Crença. Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas

Leia a Poesia »