Livro:

Poemas de Álvaro de Campos

Edição:

-

Cidade:

Rio de Janeiro

Editora:

Nova Fronteira

Ano:

1999

Página(s):

178

Estou cansado da inteligência.
Pensar faz mal às emoções.
Uma grande reacção aparece.
Chora-se de repente, e todas as tias mortas fazem chá de novo
Na casa antiga da quinta velha.
Pára, meu coração!
Sossega, minha esperança factícia!
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui…
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!
Meu fim antes do princípio!

Estou cansado da inteligência.
Se ao menos com ela se percebesse qualquer cousa!
Mas só percebo um cansaço no fundo, como pairam em taças
Aquelas [] que o vinho tem e amodorram o vinho.

( Álvaro de Campos – 18-6-1930 ) heterônimo de Fernando Pessoa
(Digitado e conferido por mim mesmo e por Rebeca dos Anjos em 3 de novembro de 2012)

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