Clarice Ferreira

VOU TE ETERNIZAR EM VERSOS – Clarice Ferreira

Vou escrever
Mil poemas sobre eu e você
Eternizando em poucos segundos
Nossos laços sinuosos ao mundo.
Em versos e prosas repletos de calor
Nossos toques
E retoques
Espumantes em ardor.

Ah paixão…
Vou descrever-te minuciosamente
Juntando todos os detalhes
Que guardo na mente!
Colocar-te-ei em quadros destacados
Nos muros da história
Nas paredes da memória
Amantes,
Seremos amados,
Por milhares de leitores deslumbrados
Sujeitos e emantados
Nos versos encantados.
Nosso romance róseo não será tocado
Pelos inquestionáveis ponteiros do tempo!
E em paixão em momento
Prazer em amor
Nossa história atravessará rumo a eternidade!
Vielas e cidades,
Ruas e avenidas,
Para além de planetas e luas.
Erguerão estátuas
Povos e países
Em nossa homenagem!

Quero fotografá-lo
Quero filmá-lo
Registrá-lo,
Em páginas de vida,
Lembrança querida.

Vou mantê-lo
Como parte de um sonho
Na memória esfumaçada
Duma noite estrelada
Em que eu encantada
Fundi-me contigo
Num rito antigo.

E deixar-te-ei no passado
Com um gostinho adocicado
Desse nosso caso de amor
Proibido e apaixonado
Profano e sagrado.

( Clarice Ferreira )

*

A MINHA LIBERDADE

Contenho asas nos tornozelos,
Fogo nos olhos
E o mundo no coração.

Sou a estrela partner
Destacando-se nos céus
Sem medo da solidão…

Não aceito propostas,
Não me encontro aberta a negociações…
Virtudes espalham-se pelo meu corpo
Vincadas e tatuadas

O vento não me abala,
Vou para onde quero,
Meu mastro é quem me guia
Rumo a terra de Sophia.

Clarice Ferreira

( Clarice Ferreira )

*

A SEREIA E O NAVEGANTE

Guardava-se tanto,
Sigilosamente a sua espera,
Constante…
Até que últimas estrelas sumissem no azul profundo,
E os olhos pesados
Decaíssem e fechassem
As marés se acalmassem
E o céu se abrisse…

Orando em silêncio
Ao Deus dos mares
Implorava-lhe tantas vezes por perdão,
Mas ele,
Sem coração,
Não a concedia…

Era já seu peito
Há tanto tempo oprimido,
Angustiada por amar quem não devia…
Em silêncio,
Sofria,
Sofria…

Um semblante tão abatido
Daquelas formas sinuosas de sereia
E escamas brilhantes
Mesmo na negritude noturna,
Denunciavam,
Que o amor nem sempre
Imbuído de razão,
Leva-nos por caminhos tortuosos
Majestosos,
Mas perigosos…

Aqueles olhos dourados
Tão alegres e risonhos,
Os cachos dos cabelos,
O suor na tez morena,
Cravados em sua memória,
E relembrava seu corpo liso
Sem escamas,
De pernas longas e delineadas…

Então agora ela chorava
Porque o encontrara…
Afogado,
Procurando-a enquanto ela,
Já tão cansada,
Adormecera…

( Clarice Ferreira )

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