Bethoven Soares Darcie

Anjo das Sombras – Bethoven Soares Darcie

Eu sou teu Anjo das Sombras

Não pense que te trarei a paz

Regurgitar-te-ei na língua sangrenta do Uivo de Guinsberg

Nos solos hipnóticos de Hendrix

Na Senha de Calcanhoto

Para que não olvides do sedutor desencantamento mundano!

Eu sou teu Anjo das Sombras

Não pense que te trarei o amor

Lembrar-te-ei o deflorar sádico do Marquês

As inebriantes violações dos templos

A sexualidade castrada pela Civilização Ocidental

Para que não olvides de quão hipócrita é nossa moral!

Eu sou teu Anjo das Sombras

Não pense que ataco tua consciência

Subverto teu Id

Anarquizo teu egocentrismo modernizante

E violento teu próprio pensar!

Oh minha doce, mórbida e pérfida sociedade:

Vomitarei em tua boca as fétidas e frágeis verdades por ti esculpidas!

Cuspirei teus cínicos e falsos valores!

Impelirei teus excrementos de volta para tuas partes mais sensíveis!

Profanarei teus restos mortais!

Para, assim…

Edificar em teus escombros a sombra que tu não conseguistes extinguir!

( Bethoven Soares Darcie )

*

Dor Latente

Dói mais que uma notícia fatídica
Um telefone mudo…
Uma caixa de entrada vazia…
Uma mensagem em branco.

Dói mais que um não
A falsa esperança…
A palavra calada…
A incerteza latente.

Dói mais que uma mão estendida
Ver aquela que se fechou
Aquela que não se estendeu
A que golpeou.

Dói mais que ver um cego
Ver quantos não conseguem enxergar…
Quantos olhos se fecham
E se recusam a abrir.

Dói mais que ver a morte
Ver a recusa em viver…
A prisão vivida
Por crenças impostas.

Dói mais que a prisão de um líder
A não contestação do Estado de direito
Que cria em seu próprio seio
O futuro algoz de seu povo.

Dói tanto quanto ver um tirano no poder
A estúpida crença disseminada
Do dever do cidadão de decidir nas urnas
Seu próximo dono.

Dói mais que a guerra
A imbecil idéia de ser em nome da paz.
Dói tanto quanto um campo de concentração
A transformação de continentes inteiros em lixeiras de resíduos humanos.
Dói muito…Dói fundo…

Dói tanto quanto à discriminação
A luta por uma só raça…
Uma só crença…
Uma só maneira de viver.

Dói tanto quanto o sorriso apagado
Aquele que se ensimesmou…
O que se recusa a abrir…
O banido a força

Dói mais, mas muito mais, que uma tentativa em vão
Aquela esquecida…
A não feita…
O não tentar.

Dói mais… Dói muito… Dói fundo

Dói muito ver a felicidade desfeita em nome de regras criadas
Dói fundo ver tanto sangue jorrando em nome do futuro da humanidade
Dói muito brigarmos por nossos países
Quando na realidade nós mesmos os criamos para por ele nos subjugar

É uma dor profunda
Um amargo na boca
Um gosto de fel impregnando o âmago de meu corpo

A única saída possível é rasgar minha carne,
Extirpar de meu próprio ser as crenças e regras forjadas
E gritar com todas minhas forças:
Não tenho pátria!
Não tenho sexo!
Não tenho raça!
A partir de hoje devolvo a meu ser a humanidade…
Esquecida em nome da espúria social!!!!

( Bethoven Soares Darcie )

*

Exaltação ao Prazer

Em nossos olhares, espelho afroditianos,

Refletem-se sons de um inebriante silêncio

Tocando-nos com seus sentidos

Evocando-nos a bailar por nossos próprios corpos

E a saborear os doces ares do Olimpo

Em nossas mentes… palavras não ditas

– elevam-nos aos confins dos desejos contidos e à exuberância dos prazeres proibidos –

Sorriem tal qual o florescer de estrelas,

Que farfalham ao meu toque em seu rosto,

Livrando-nos do véu: elo aprisionador da liberdade

Em nossas mãos os primeiros sentimentos libertos,

Sua pele, mansamente… passeia por entre meus dedos,

Como uma deusa bailando com sua sensualidade,

Nossa sensibilidade, lentamente, vai florindo os desejos…

O suor percorre nossos corpos,

Meus lábios encontram sua pele e viajam por toda extensão do prazer

Transformando-nos em personagens de nossa própria ousadia –

Navegam por seu pescoço… sua nuca, arrepiam suas costas,

Esvaecem os ombros, excitam os quadris… e exaltam seus seios

Adormecendo os sentidos, atordoando-nos em vertigens

Lançando-nos a universos jamais explorados,

Onde todas as estrelas bailam por nossa existência,

Exalando um prazeroso e envolvente aroma

Assim,

pouco a pouco

As flores desabrocham,

As borboletas rompem os casulos

E nossos corpos tornam-se um só corpo, um só sentido, um só prazer…

Alcançando, enfim, o pleno êxtase consentido aos humanos.

( Bethoven Soares Darcie )

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3 respostas

  1. Ótima a iniciativa de divulgar palavras farfalhando por nossas mentes e perpassando nossos sentidos…Podem apreciar sem moderação, pois não há teor alcóolico mais inebriante e menos prejudicial que uma boa viagem em seus próprios pensamentos.

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