Carlos Soulié do Amaral – Poema

Carlos Soulié do Amaral – Poema

Carlos Soulié do Amaral foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Poesia, no ano de 1966, com apenas 22 anos de idade. Também recebeu em 1967 o Prêmio Imprensa, outorgado pela Câmara Brasileira do Livro. Segue um poema dele enviado com referências bibliográfica pela leitora Ana Luiza, para contribuir com este nosso projeto de recuperação de nosso patrimônio cultural.

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SONETO DA ALEGRIA 

De nada, ou quase nada, uma alegria
Criar e permitir que nos aqueça
E acenda o vôo* e a voz da fantasia
Provando-se à exaustão adversa e avessa.

Uma alegria que dê fogo à fria
E brumosa jornada e não se esqueça
De transbordar, cravando-se travessa
E incontida, no coração do dia.

E que por ela os nossos corações
Se deixem, sem constrangimento, ser
E fluir, como fluem as canções,

Como fluem os rios, sem saber
Nem indagar as mil ou mais razões
De tudo quanto vive e vai morrer.

(Carlos Soulié do Amaral – texto do livro Verba – São Paulo: Cultrix. 1999. p. 36)

*Obs.: Mantivemos a grafia original da palavra “vôo”, em desacordo com o novo acordo ortográfico, onde perdeu o acento circunflexo.

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