Canção do Exílio – Gonçalves Dias

Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

( Gonçalves Dias )
(conferido no livro Primeiros Cantos no Google Books)

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=6I2PMwWBo_Y]

Esse poema é um clássico. É composto todo em heptassílabos (ou redondilha maior) como a maioria de nossas cantigas de roda e canções de ninar (muitas compostas por Villa Lobos, como a belíssima “Se esta rua fosse minha“). Dizem que essa é a métrica que mais se prende à memória… Deve funcionar, pois realmente, eu não esqueço esse poema ou as cantigas de ninar da minha infância. A obra  abre o livro “Primeiros Cantos e é um dos mais conhecidos poemas da língua portuguesa no Brasil, até mesmo porque “Nossos bosques têm mais vida,/Nossa vida, mais amores.” acabou no nosso hino nacional. Foi escrito em julho de 1843 em Coimbra (Portugal) e na wikipedia você pode saber mais sobre ele, inclusive com uma análise do poema. Se quiser ver o texto em sua grafia original (bem interessante), basta passar umas páginas aqui no link do livro Primeiros Cantos no Google Books. Aliás, o livro está todo disponível ali, pois toda a obra do autor é de domínio público atualmente.

Saiba mais sobre o autor na Wikipedia

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0 resposta

  1. Fabio Rocha, se me permite a imodéstia, deixo meu comentário sobre o belíssimo poema de Gonçalves Dias, "A Canção do Exílio", em forma de paródia, transportando seus versos aos dias atuais…

    PARÁFRASE DA "CANÇÃO DO EXÍLIO" (DE GONÇALVES DIAS)

    Meu país tinha palmeiras,
    Lá cantava o Sabiá;
    Que hoje quase não canta
    Porque poucos deles há.

    Nosso céu, tem sim, estrelas,
    Mas, nas várzeas não há flores,
    Nossos bosques têm queimadas,
    Há mais ódio e desamores.

    Ao deitar, todas as noites,
    A lembrar ponho-me cá;
    Daquelas lindas palmeiras,
    Do canto do Sabiá.

    Meu país tinha primores,
    Mas já não os vejo cá.
    Ao lembrar –sozinho, à noite-
    Quanta tristeza me dá!
    Onde estão minhas palmeiras,
    Onde anda o Sabiá?

    Permita-me, Deus que eu morra,
    Sem que tenha de ver cá;
    Mais depredação das matas
    E a extinção do Sabiá,
    Destas matas brasileiras
    Qu’igual no mundo não há.

    Miriam Panighel Carvalho

    1. Parabéns,Miriam Panighel Carvalho.A “paródia” honra o poema.Onde anda o sabiá? Já não encontra alimento nas matas escassas.Arrisca-se na urbe diminuindo a distância segura da presença do homem. Moradores de um condomínio do centro da capital de São Paulo pediram providência quanto ao barulho do cantar do sabiá que “perturbam”seus sonos neuróticos nas manhãs.Belo poema de um paraíso em que o homem não tem cabimento e bela paródia em que o homem deve ser olvidado ou desprezado.

  2. Este poema canção do exílio é muito especial pois fala da terra dele onde a saudade é muito grande, e a essência da natureza trazendo ao ser humano o puro amor pela sua pátria com significados importante de sua vida.

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