Recordo Ainda… – Mario Quintana

Recordo ainda…

VIII

(Para Dyonelio Machado)

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…

Estrada afora após segui… Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!

Mario Quintana )
(A rua dos cataventos. Coleção Mario Quintana. 2a. edição. 6a. reimpressão. São Paulo: Globo, 2005. p. 26)

0 resposta

  1. Ler Mário Quintana é como conviver o quotidiano com um pai, um avô, um amigo muito querido. Suas histórias tão leves e,
    ao mesmo tempo, tão profundas, nos envolvem, nos fortalecem diante do mundo em que vivemos. Troca-se o "temor" por este "desejo", traduzido na singularidade única de seus versos !

    1. Você visitou minha página e viu as postagens de suas poesias e desenhos … auto-retratos !!!!!!!! Recebo sempre as correspondências da Magia da Poesia. Muito mais SUCESSO!

  2. Eu quero os meus brinquedos novamente!
    Sou um pobre menino… acreditai…
    Que envelheceu, um dia, de repente
    Que coisa mais linda!!!!!
    Já me encaixo neste poema de Mario Quintana.
    Fábio Rocha,amo seu site….obrigada!!!

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