Mãos Dadas – Carlos Drummond de Andrade

Mãos Dadas – Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

( Carlos Drummond de Andrade )
(Poema digitado e conferido por mim mesmo Antologia Poética – 12a edição – Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, p. 108)

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=fWwxOHqUt8E]

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0 resposta

  1. É REALMENTE MÁGICO A POESIA VIR AO MEU ENCONTRO.ESTOU TÃO MAIS FELIZ POR ISSO, MINHA VIDA COMO QUE SE TOMOU DE ENCANTOS, ESTÁ CHEIA DE GRAÇAS.ATÉ O FEIO E O TRISTE VESTEM ROUPA DE DOMINGO PARA VIR A RUA.NÃO SEI COMO FOI POSSÍVEL CHEGAR ATÉ AQUI, SEM ANTES JAMAIS TER TOMADO ESSE HÁBITO DE MERGULHAR DIARIAMENTE, POR VÁRIAS HORAS EM POESIA PURA.Tudo , graças á sua dedicação e generosidade.Obrigado, abraço!

  2. Fábio,
    Obrigada por encantar meus dias! Acho sua iniciativa maravilhosa, generosa e necessária. Na aridez do dia a dia, a poesia nos enche de alegria, esperança e nos mostra a beleza em estado puro!

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