Ah! Os Relógios (com vídeo)

Ah! Os Relógios

relogioAmigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira –
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida –
acaso lhes indaga que horas são…

Mario Quintana )
(poema do livro A Cor do Invisível. 2a. edição. São Paulo: Globo, 2005. p.96.)

Ah! Os Relógios – vídeo

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=dF-owCNKGM4?hl=pt&fs=1]

0 resposta

  1. Apenas uma observação: no último verso da primeira estrofe, acima, há uma pequena incorreção: “necrológicos”. Na poesia de Quintana o correto é “necrológios”.

  2. poetar, diríamos nós, se a cada sentir pudèssemos transformar o que ocorre em nossas veias e as palavras que se agitam ao toque da visão noturna do pensar.e Mário Quintana faz da poesia a expressão maior do ser.

  3. A poesia de Quintana tem algo de muito invejável para a maioria dos poetas que é conseguir uma empatia quase imediata com seus leitores. E isso sem perder o nível de exigência em termos de recursos poéticos, que em diversos momentos são muitíssimos elaborados, sem deixar o humor e a leveza diluírem nas questões mais profundas.
    Difícil definir a poesia deste grande poeta, mas com a qual me identifico a cada nova leitura.
    Momentos únicos de muita beleza só em…”A Magia Da Poesia”
    Parabéns poeta Fábio!
    Abraço.

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