O poeta da Consciência Negra: Oliveira Silveira – Poemas

O poeta da Consciência Negra: Oliveira Silveira – Poemas Selecionados

Selecionamos poemas do poeta para o dia da consciência negra (20 de novembro):

O Negro de Fogo

O negro de fogo
que usava camisa encarnada
incendiou o futebol
incendiou o samba
|                 a rumba
|                 a conga
|                 o espiritual
e o coração das mulheres.

O negro de fogo
enrubesceu maçã do rosto
de encabuladas moças
pintadas de ruge e batom.

O negro de fogo
de carvão e brasa
pixe e sangue.

O negro de fogo
incendiou a União Sul-Africana
e lançou fósforo aceso
sobre os Estados Unidos
(que assim não era possível).

O negro de fogo
pôs labaredas (não era possível)
nos organismos internacionais.

O negro de fogo
(assim não era possível)
atou num poste e jogou na fogueira
o ditador português
e Sua Majestade Britânica.

O negro de fogo
– sempre chamado de sujo –
para ter bem-estar físico
impôs ao mundo uma higiene mental.

E assim – queimadas a gaiola, a grade
purificado o ar e limpo o céu –
entoou com voz azul
seu canto de liberdade.

( Oliveira Silveira )
(Poema do livro Poesia negra brasileira: antologia. Organização de Zilá Bernd. Porto Alegre: AGE: IEL: IGEL, 1992. p. 96.)

*

No Mapa

Pelo litoral
ficou
de norte a sul
nagô.
Ficou no Recife:
xangô.
Na Bahia ficou:
candomblé.
No Rio grande é o que?
– Batuque, tchê.

Filho de santo
de bombacha,
Ogum
comendo churrasco:
jeito
gaúcho
do negro
batuque.

( Oliveira Silveira )
(Poema do livro Poesia negra brasileira: antologia. Organização de Zilá Bernd. Porto Alegre: AGE: IEL: IGEL, 1992. p. 104.)

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