meu nome é IRA

caminho na chuva e chovo
o mesmo problema
eu novo

o mesmo poema
de novo

movo o olhar pro que é:
pessoas fingindo não fingir
há tanto tempo que nem lembram mais
o que fingem fazer

criar é um sonho distante

dentro dos muros
sufocando murros
dentro das grades
sublimando sonhos
dentro das regras
pra agradar algum burro
de modo a s-o-b-r-e-v-i-v-e-r
no futuro

e eu ainda tenho carne e osso
e tendões duros no pescoço
sob a pele que se alergia se não há alegria
na imbecilidade sem sentido que nos prende
dentes unhas catracas listas de chamada
na rotina sem sentido que seguimos descontentes
engarrafados pelo ouro dos carros prateados
de modo a s-o-b-r-e-v-i-v-e-r
no vindouro

– onde há sobrevivência não há vida!

4 respostas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *