No meu verso canto comboios… – Álvaro de Campos

No meu verso canto comboios, canto automóveis, canto vapores.
Mas no meu verso, por mais que o ice, há só ritmos e codas,
Não há ferro, aço, rodas, não há madeiras, nem cordas,
Não há a realidade da pedra mais nula da rua,
Da pedra que por acaso ninguém olha ao pisar
Mas que pode ser olhada, pegada na mão, pisada,
E os meus versos são sons e ideias só para serem compreendidos.

(…)

Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
Trecho de poema retirado por mim mesmo do livro Poemas de Álvaro de Campos, Edição de Cleonice Berardinelli, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999, p.87

Uma resposta

  1. Sabe, Fábio, ao contrário do que disse o Álvaro, “os meus versos são sons e idéias” que só servem para “não serem compreendidos…”Não consigo, nem quero, ser diferente.Abraços, flores, estrelas..

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