O teu riso – Neruda

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda )

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=IyU4i5HRiTM&w=560&h=315]

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=WeX1glvdDMQ]

21 respostas

  1. Linda essa de Neruda, só creio eu, que caso a trradução fosse modificada (onde se lê "riso", fosse posto "sorriso") a poesia ficaria mais rica, a meu ver é claro. Mesmo assim ela ficou maravilhosa, parabéns pela postagem.

  2. É profundo e intenso, mostra a necessidade que o autor tem da pessoa amada… E tocante a maneira que o autor coloca o sorriso do seu amor acima de suas necessidades… Coisas do amor kkkl quem ta apaixonado entende kkkk

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