da rua de mata-cavalos

chega um tempo em que você não agüenta mais
escrever longas notas técnicas e memoriais formais
e calar

calar enquanto grita
quem não tem nada a dizer

calar enquanto a pedra
vai perdendo o brilho
dentro do baú

e você lacra o baú
e guarda no armário
pro futuro chegar um dia

mas não esquece o baú
não esquece a pedra
e você sabe que a pedra brilha

(salvam-te sorrisos femininos
acalentam esperanças de agoras
na pele áspera do tempo…)

o corpo esquenta um poema
a derme coça um lema
a alma grita por silêncio

e você volta
a escrever longas notas técnicas e memoriais formais
e calar

baú

3 respostas

  1. Parabéns pelas poesias postadas! Você tem estilo próprio, fica difícil abandonar a técnica. Poema breve, versos curtos; contudo, há muita "Magia", lembra-me textos de Paulo Leminsk. Muito mais sucesso!

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