anticomputador (ou o último dragão)

morosamente desmorono

vou demolindo
a linda casa decrépita
só nossa
de pedra
tão nossa
tão base
tão rocha
que aos pés leves
se esfarela

felicidade
é a cidade
futura!

água nas bocas
água nos lábios
água por todos os poros

alimento meus olhos de fome
incisivamente mastigo o amor além do tédio
galopo as fábulas de Esopo
e parto…

não há cavalo que não tenha asa no mundo.
os que caírem por medo
que morram sem ter vivido!

quero hoje poder
ser o oposto de ontem
em paz e em guerra
(deliciosa e íntima)

dito isso… relevo.

elevo Letícia na janela
até uma delícia impossível
escrevo em sua pele branca
e ouço um sino

elevo pelo mesmo motivo
de haver um pavão albino
na porta da casa da moeda

elevo aos deuses
a deusa Letícia
e me levo junto
em torvelinho verde
apenas por ver-te

SNIKT
é o som
dos grilhões partindo
e do mundo de pedra ruindo
abaixo

shiryu-ultimo-dragao

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