Sylvia Plath

Sylvia Plath

Papoulas de Julho

Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?

Vocês vibram. É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.

E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.

Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!

Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?

Se eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida!

Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.

(Sylvia Plath)

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6 respostas

  1. Fábio ,
    seu site é fantástico e seu acervo cresce a cada dia , cada vez mais , tanto de poemas de poetas já consagrados como dos seus poemas sempre instigantes , gritantes , românticos , vários .
    Você está de parabéns pelo que faz aqui . É uma inspiração para tantos outros como nós , que queremos a poesia de cada dia , distribuída por todos .
    Beijo no coração .
    Força e fé !

  2. Bom dia, Fábio!

    Estou procurando conhecer o seu Site. De primeira, devo dizer que é excelente.
    Graças ao meu amigo Carlos Lira cheguei aqui, e creio que para ficar. Viajar através da poesia é sempre ultrapassar as barreiras do real que, às vezes, tanto nos machuca.

    Parabéns!

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