Mallarmé

Mallarmé

No princípio, o homem saía a cada dia – este para a batalha, aquele para a caça; outro ainda para cavar e revolver a terra nos campos; – com o único fim de ganhar, de viver, ou de perder e morrer, até que se encontrou entre eles alguém diferente do resto, cujos trabalhos não o atraíam, e ele ficou perto das tendas, entre as mulheres, e, com um pedaço de madeira queimada, traçava estranhos desenhos numa cabaça.

Este homem, que não se alegrava com as ocupações de seus irmãos – que não se preocupava com a conquista, e se consumia no campo – este desenhista de bizarros modelos – este inventor do belo – que percebia, na natureza em torno, curiosas curvas – como se vêem figuras no fogo – este sonhador à parte, foi o primeiro artista.

E quando, do campo e de ao longe, voltaram os trabalhadores, eles tomaram a cabaça – e nela beberam.

E os séculos se passaram em meio a esses costumes, e o mundo foi inundado por tudo o que era belo, até que se ergueu uma nova classe que descobriu o barato e previu a fortuna na fabricação do falso.

E desaparecia a ocupação do artista, e o fabricante e retalhista lhe tomaram o lugar.

(Mallarmé)

Mallarme

Saiba mais:

Mallarmé – Wikipédia

(Seleção de Fabio Rocha)

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