John Keats – Poemas traduzidos

John Keats – Poemas traduzidos

A Bela Dama Sem Piedade 

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
Sozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
Sua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
E a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
Úmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
Rapidamente desvanescendo também.

Eu encontrei uma dama nos campos,
Tão linda… uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
E selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
E braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
E suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
E nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
Uma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
mel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse…
“Verdadeiramente eu te amo.”

Ela me levou para sua caverna de fada,
E lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
Com quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
E lá eu sonhei…Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
Nesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
Pálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram…”A Bela Dama sem Piedade
Tem você escravizado!”

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
Abertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
Nesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
Sozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

(John Keats – tradução de Izabella Drumond)

*

Ode à Melancolia

1.

Não, não, não siga ao Letes, nem agite
As ervas, enraizadas, a buscar venenosa poção;
Nem sofra tua pálida fronte ao ser beijada
Pela noturna uva rubra de Proserpina;
Não faça seu rosário de bagas-de-teixo,
Não deixe o besouro, nem a mariposa serem
Sua lamentosa Psiquê, nem a sábia coruja
Sua companheira nos mistérios da mágoa;
Pois de sombra em sombra virá sonolenta,
E afogará a desperta angústia da alma.

2.

Mas quando a melancólica crise descer,
De súbito, dos Céus tal uma nuvem de lamentos,
Que acaricia todas as flores reclinadas,
E oculta a verde colina numa mortalha;
Então queira fartar tua dor numa rosa-da-manhã,
Ou sobre o arco-íris da onda salgada,
Ou sobre a fartura das belas flores globais:
Ou se tua senhora alguma rica ira demonstra,
Aprisione a sua suave mão, e deixe-a delirar,
E se satisfaça no profundo de seus olhos singulares.

3.

Ela habita junto a Beleza – que deve morrer;
E junto a Alegria, cuja mão aos lábios dele
Acenam adeus; e golpeando o Prazer próximo,
Tornando-se em poção enquanto as abelhas sorvem:
Sim, no verdadeiro templo do Deleite
Velada Melancolia tem seu relicário,
Apesar de invisível ser salvo, cuja ativa língua
Pode explodir a uva da Alegria ao céu-da-boca;
A alma dele degustará a tristeza dela,
E suspenso meio aos dela nublados troféus.

(John Keats – tradução de Leonardo de Magalhaens)

*

Ode a um Rouxinol

Meu coração dói, e um torpor aflige
Meus sentidos, como se ébrio de cicuta,
Ou sorvido algum vapor de ópio
Um minuto passou, e no Letes afunda:
Não é inveja de teu fado feliz,
Mas feliz em tua felicidade –
Tu, lúcida-alada Dríade no bosque,
Em tal melodiosa trama
De faia verde, e de sombras inúmeras,
Cantaste o Verão à plena garganta.

Ó fruto da vinha! Que repousas
Tanto tempo na profunda terra,
Degustar de flora e verdes campinas
Dança, canção provençal, e diversão,
Ó taça cheia do caloroso Sul,
Cheia de real e rubra Hippocrene,
Com espuma cintilante até a borda
E a manchar a boca de púrpura,
Que beberei, e deixar o mundo não-visto,
E contigo sumir na floresta sombria:

Afaste, dissolva, e esqueças tudo
O que entre as folhas jamais conheceste,
O tédio, a febre, a irritação
Aqui, onde os homens em gemidos mútuos
Onde o torpor abala tristes cãs,
Onde os jovens pálidos, débeis, morrem,
Onde pensar é ser cheio de mágoas
E desespero no olhar;
Onde a Beleza perde o olhar lustroso,
Ou o Amor gasta-se no dia seguinte.

Para longe! Eu desejo voar contigo,
Não guiado por Baco, e seus convivas,
Mas nas invisíveis asas da Poesia,
Mesmo que a mente se atrase confusa:
Estarei contigo! Suave é a noite!
E por sorte a Rainha-Lua no trono,
Cortejada por suas brilhantes Fadas;
Mas aqui lua não há
Salvo a brisa que desce do céu
Em penumbras e trilhas sinuosas.

Não posso ver flores aos meus pés,
Nem o incenso a flutuar sobre os ramos,
Mas, nas trevas suaves, aprecio cada um
Onde a bela estação oferece
A grama espessa, e a árvore silvestre;
O espinheiro-branco, e a flor pastoral;
Violetas a murcharem sob as folhas,
E o broto de plena Primavera,
O almíscar-rosa, de vilho orvalhado,
O zumbir de moscas em tardes de Verão.

Sombrio eu ouço; e por muito tempo
Meio atraído pela suave morte,
A chamei com nomes doces nas rimas,
Para arrebatar meu fôlego calmo;
Pois parece proveitoso morrer,
À noite, cessar tudo sem dor alguma,
Enquanto derramas toda a tua alma
Em semelhante êxtase!
Cantarias ainda, em vão, meus ouvidos
Ao teu nobre requiém viraram relva.

Não nasceste para morrer, ave eterna!
Gerações ávidas não te derrubam;
Ouço nesta noite a voz já ouvida
Outrora por imperador e curinga;
Talvez a mesma melodia na trilha
Ao triste coração de Rute, saudosa,
Ansiava o lar, em pranto, no exílio;
O mesmo a encantar outrora
Mágicas janelas, abertas à espuma
De mares bravios, em terras lendárias.

Desolado! as palavras ressoam
A levar-me de ti à minha solidão!
Adeus! A fantasia não ilude
Como dizem, ela, a falsa ninfa.
Adeus! Adeus! Teu queixoso hino finda
Além das campinas, além dos riachos,
Além das colinas, já sepulto
Nas clareiras do vale próximo;
Foi uma visão, ou um devaneio?
Foi-se a melodia: – acordei ou durmo?

(John Keats – tradução de Leonardo de Magalhaens)

(Seleção de Fabio Rocha)

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john keats

9 respostas

  1. Eu simplesmente amei, nunca pensei que iria amar um poema tão antigo, queria ter tido a oportunidade de conhecer o grandioso John keats e sua querida amada….

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