SEM TÍTULOS

criamos
por meio de carimbos, musgos e líquens
a planície estéril do escritório

onde sentamos e nos reunimos
planejando novas cadeiras e reuniões

nos prendemos a isso
a fingir ser isso

de manhã o trânsito pra ir
de tardinha o trânsito pra voltar:
e nunca
jamais
chegar

3 respostas

  1. Muito bom o poema (o final dá noção do labirinto que somos e que criamos). Os musgos e líquens ali no começo significando duplamente: o que é (vida ramificada que escapa ao asséptico escritório) e também tomado figurativamente, como o que se faz rasteiro, incrustado (rotina menor entre carimbos, na planície estéril). Presos nesse tudo que não somos, fingimos ser.

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