COSTA

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A Costa do nome, as costas das mãos de unhas azul bic… Azul bic! Como meditar agora? Na falta do teu toque, do teu gosto, de tuas cores… Mestres, meus mestres queridos repetem suavemente cá dentro: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.” Ou ainda: “A mente humana é viciada em sofrer.” Repetem inutilmente. Vejo agora é o vermelho de teus óculos ausentes, enquanto guardava ridiculamente um cigarro seu que achei no chão do carro e aguardava os sinos dobrarem. (Sim, você esquece e derruba deliciosamente tudo. Traz o caos dançante a qualquer ordem chata.) Todo silêncio agora é um silenciar do teu nome, e de minha vontade suicida de dizer que te amo. Como descer do pico do novo máximo existencial (o mais alto carnaval) sem rancor? Sem essa cara de apatia e resignação? Os mestres, inutilmente, aconselham que uma vida só de máximos é entediante. Que virão novos picos e vales… Mas o que interessa o novo quando tudo o que você quer é um só? Somente uma. Me digam, agora, mestres, como me sentir bem e risonho e zen, descendo do paraíso onde as bolhinhas da cerveja dela subiam em câmera lenta para fazer o imposto de renda, consertar o carro arrombado, levá-lo na revisão anual gratuita, trocar a porra do óleo, tentar pela quinta vez comprar um celular novo daquela bosta de empresa que já quase processei? Porra! Andei na praia sem resolver nada desta merda. Não farei nada. Que me prendam. Andei sem chegar a lugar algum também. Agora penso de novo em mudar tudo, de emprego, de cidade, de tudo, só para não ter que voltar ao mesmo. Jamais novamente cair do céu para voltar ao mesmo. Prefiro Toddy ao tédio. O mar que ouvimos na noite agora é azul. Confetes sujos na ciclovia lembrando Copacabana. O céu agora abriu, tudo inutilmente, pois não há seus olhos nem seu vocabulário ao meu lado. Março. Quarta-feira cinza. Nosso nome na areia é que não tive coragem de olhar. O espaço: a fronteira final. Vim escrever, na impossibilidade cósmica de voltar a desenhar mal a essa altura do campeonato. A essa altura do abismo, quebrado todo o corpo, não me arrependo, aliás, do salto e vôo breve. O mais alto. O mais alto. Vim escrever, como que pra te contar detalhes idiotas e sem sentido que ganham sentido ao tocar seu espírito atento e santo, nessa alma escorpiana valente e sensível. Ah, perante nossa linda impossibilidade mútua de ajoelhar perante o deus inexistente, vim escrever você pra me salvar.

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