VÃO

“Minha alma, insaciável com sua língua
já lambeu em todas as coisas boas e ruins,
em cada profundeza já mergulhou.
Mas sempre igual à cortiça
Sempre bóia outra vez à tona” (Nietzsche, trecho de “Canções de Zaratustra”)

Estamos todos presos do lado de fora de um abraço, André Newmann… Nada mais certo. Adentro a noite dentro da noite, centro da vida e da busca, e não encontro nada com a razão além de técnicas e placares. As placas de meus molares estão tectônicas e querem sair desta merda, quando percebem meu cansaço e meu fingimento para mim mesmo: está divertidíssimo. Mudamos os lugares, mudamos as pessoas, tudo rápido a tempo de não ser. Os sinos não dobram. Mas de alvos estava no auge, quando saí. Como se deve sair do amor, certo, OSHO? Amigos tortos, ao menos estão junto, presentes, dançarinos, quase uma constância até o próximo táxi. Mas os alvos alvos que se abrem perante a minha mira calculista querem resistência na insistência. Estico minha irreconhecível mão até o limite de não ser eu. Pergunto para ouvir a resposta que não me interessa. Consigo o primeiro passo e anoto mentalmente, mentalmente, mentalmente mais e mais coisas de techné, passos e evoluções e conquistas como se esta porra fosse uma olimpíada, um programa de computador, a saga das 12 casas do zodíaco ou um videogame a ser zerado. Não bebo, quase. No fundo, algo até se orgulha, olhando os passos e pássaros de meu passado extraterreno. Medos e limites, ao menos, superados. Mas, ao mesmo tempo, nada aprofunda ou acolhe de verdade. Nada. Estou taciturno. Nada, nada mesmo chega nem perto da noite dentro de meu coração que nada. Mas não tenho pressa. Se o corpo cansa, a alma canta: estou mais vivo do que nunca. Estou morto como nunca. Mas ano que vem tem mais.

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