Traduções de meus poemas numa revista literária de São Petersburgo (Rússia)

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(Traduções de Ekaterina Balakhonova. Clique acima para ampliar a revista escaneada.)

Os poemas que foram traduzidos, seguem abaixo. Até agora, três desses foram publicados na revista literária “Sfinks” (“Esfinge”): “Não pise na grama”, “Culpa” e “Vice-Rei”.

*

NÃO PISE NA GRAMA

TUDO PELOS ARES

Somos anjos perdidos.
Asas mortas no chão
desde a primeira audição
da palavra impossível.

( Fabio Rocha )

*

JANEIRO

O dourado vence o vermelho
no dia nascente.
A revanche: o crepúsculo.

Verão.
Estação de sonhos e ócio.
Já cheira a saudade
antes de esquentar.

Provar as bênçãos
dos bons arcanjos
em trajes de banho
sobre a areia branca

e a irregularidade
dos horizontes
das cidades
do interior
da alma.

( Fabio Rocha )

*

TANGO MIO

Perdi o passo.
Sem equilíbrio,
pisei no pé do caos.

Meu ócio antigo
se embriagava no bar,
cercado de inimigos.

O sonho não realizado
fumava-se, cabisbaixo,
num degrau abaixo.

Adivinhei minha esperança inteira
lá fora, no beco de Bandeira,
mendigando.

Ah, se em minha alma
tocasse funk…

( Fabio Rocha )

*

REVELAÇÃO

Eu me esqueci no armário.

Pensei estar vivendo,
estudando, trabalhando, sendo!

Pensei ter amado e odiado,
aprendido e ensinado,
fugido e lutado,
confundido e explicado.

Mas hoje, surpreso,
me vi no armário embutido
calado, sozinho, perdido, parado.

( Fabio Rocha )

*

INFÂNCIA

No vento,
Pedrinho perdeu
sua sombra.

– Cadê tua sombra, menino?
Gritou a mãe.

– Só não perde a cabeça porque está presa no pescoço.
Disse a vó.

Pedrinho ria a danar.

Depois foi estudar
enquanto a sombra brincava
de ser noite.

( Fabio Rocha )

*

VICE-REI

Eu sempre estendi as mãos
para as borboletas…

Abria os braços
para o passado saudoso…
para o futuro sonhado…
mas nunca tocaram em mim.

Hoje, fiquei imóvel
e uma pousou no meu pé.

( Fabio Rocha )

*

PAPEL

De todo o silêncio
ouço só o esplêndido
silêncio das árvores.

Pois o silêncio de quem fala
e cala
é incompleto.

Por isso, ouço o silêncio
distante
das árvores que nunca vi.

( Fabio Rocha )

*

WINDOW

Sou cavaleiro sem donzela
e meu escudo é uma tela.
Se eu não pensasse nela…
Suo frio na capela
se há casamento na novela.
Se eu não pensasse nela…
Sonho meu que não é meu:
já sonhava Romeu.
– Quem sonha? Ela ou eu?

( Fabio Rocha )

*

UMBRAL

Estou trancado.
Lá fora
leões
que amo.
A casa encolheu
ou eu que cresci?
Estou armado até os dentes.
Eles têm fome.
Ouço seus rugidos.
(Algo em mim quer ser um monstro.)
Cansado de ferimentos
olho para a porta
a chave pesando a mão.

( Fabio Rocha )

*

CULPA

Meus passeios
poluem o mundo.

Para ler,
gasto a luz de cidades inundadas.

A geladeira
esburaca a camada de ozônio.

Banhos longos
desertificam o planeta.

Para comer, beber, viver
gasto dinheiro (que nem ganhei).

Meus poemas
derrubam árvores.

( Fabio Rocha )

7 respostas

  1. Maravilha ler poesias de qualidade. também luto com rimas, estrofes, melopeias e todas estas coisa de poesia, mas como doi! e que dor é esta que me completa?
    me atrevo a poetisar aqui, para teu possível comentário
    grata
    REBELDIA
    Não quero medir meus versos
    prefiro musicá-los
    deixá-los livres
    quero que passeiem nas linhas como se bailassem
    quero que se amarrem, se façam táteis, se amem
    que os leve o vento
    que os perfume o tempo
    sem métrica

    Gerci Oliveira Godoy

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