CASAR OU NÃO CASAR – HÁ OPÇÃO!

CASAR OU NÃO CASAR – HÁ OPÇÃO!

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A primeira coisa a dizer sobre o amor é que não há certezas ou fórmulas. Aliás, em relação a quase tudo na vida, e essa é a graça da coisa. Fui convidado a escrever esse texto após ler artigos péssimos da revista do Personare que, de uma forma ou de outra, acabavam colocando o casamento como meta final, como objetivo de ouro a ser alcançado numa relação. Reclamei da parcialidade da coisa (como fazem tão bem mapa astral e tão mal uma revista?) e me convidaram a escrever este artigo, para depois não publicarem. 🙂 Bem, mas tento aqui mostrar outra perspectiva, ser mesmo advogado do diabo, mais radical que o normal… Que fique bem claro que não quero impor verdades, não creio na verdade absoluta, mudo igual a um louco geminiano (eu mesmo já quase casei e não descarto a hipótese totalmente, me conhecendo bem…) 🙂

Bem, dito isso, hoje vejo o casamento na maioria dos casos como o contrário de um objetivo máximo conquistado – mais para desistência. As pessoas, cansadas de viverem paixões abissais esperando que durem para sempre (e as paixões abissais nunca duram), ou apenas sucumbindo ao bombardeio de padrões que nos moldam desde a infância (religiões, educação, pais, filmes e músicas românticas…), acabam buscando automaticamente o casar e ser feliz para sempre. Mais “normal”, estável e seguro. Contentam-se, assim, com um tipo de relação onde as emoções são menos extremadas, menos abissais, menos vivas, mais “garantidas”.

Que fique claro que não estou defendendo relacionamentos puramente sexuais, curtos ou superficiais. É possível viver a dois de infinitas formas. Não estou defendendo nada. Apenas tentando mostrar que há opções. E que o casamento tradicional é uma das piores. Belas são as relações em que ambas as partes crescem em vez de se encolher, onde as pessoas se encontram por prazer e não por hábito suportável, onde não há obrigações e sim escolhas, onde ninguém muda o próprio nome para ser “do outro” (as pessoas não são coisas!), onde não há a constante necessidade de cada um abrir mão de algo.

Assim, por mais que possa haver diversos tipos de casamento, com perda de liberdade em graus variados para o casal, a constante é que sempre há perda de liberdade. As infinitas possibilidades da vida – que se mostram a cada instante – se reduzem. Porque há pactos, promessas, contratos e testemunhas. Fazer votos é se forçar a fazer algo não natural, como o voto de silêncio. Pesa.

Desde cedo somos convencidos que a vida é luta, suor, competição, esforço… Que precisamos de planos, de metas… Será? Não seria melhor confiar no que o destino nos traz, relaxados, suaves, leves? Mesmo estar sozinho pode ser bom, se você estiver bem consigo mesmo… Casar “de papel passado” é seguir os passos do rebanho e desistir da capacidade de dançar com o devir, de suportar o ir e vir das ondas da vida, de criar um novo caminho.

Sempre há exceções, claro, mas vou me permitir finalizar radical e abissalmente, só pra ser do contra, citando o sábio Osho: “O casamento é a instituição mais triste inventada pelo homem.”

( Fabio Rocha – www.poesiaspoemaseversos.com.br )

OBS: O próprio Osho defende o casamento em alguns textos. 🙂

OBS2: Mais um texto em prosa que nunca me parece totalmente bom ou claro ou pronto… Viva a poesia…

6 respostas

  1. "Mesmo estar sozinho pode ser bom, se você estiver bem consigo mesmo…" Concordo integralmente com essa frase. Mas levou muito tempo pra eu aprender isso. Acho que você está sendo radical (ou não, pois em alguns momentos permite uma posterior mudança de pensamento). O casamento quando é fuga, um fim ou quando é visto como uma solução está fadado à falência. Ou ainda se é tido como um direito de propriedade, uma forma de exteriorização da posse, também. Mas quando é visto como um bem querer, uma vontade de dar frutos, uma crença de que aquilo é o que o coração quer, será uma das mais belas demonstrações de amor. E o amor nunca irá falir. O amor é o nosso combustível. O que nos movimenta. Porque mesmo quando estamos sozinhos é o amor por nós mesmos e pelo próximo que faz com que seja bom.

  2. Oi, NathaliaTentei ser radical mesmo em mostrar que há opção, como diz o título, sobre o casamento. Sobre o amor, não há opção. :)beijos, aguardando sua postagem 😉

  3. Aaaaa gostei muito-muito do seu texto em prosa!!!… Até mesmo porque não deixa de ter poesia ;)Vou encaminhar, rs… É muito coerente!Beijos =)

  4. Muitas pessoas casam simplesmente por insegurança, por não saberem assumir a própria vida…É difícil encontrar um casal que realmente se ame e esteja junto por real prazer.Se eu algum dia me casar, será na situação que acabo de descrever.E o seu texto soube espressar otimamente a incerteza que é a vida, parabéns.

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