NOITE PAULISTA

Acordamos contando nossa história pra nós mesmos. O dia passa. Mulheres passam. Comemos muito. E essa lua no espaço sobre a paulista? Cheia de si… Por que essa lua, meu Zeus? Para quê? Iluminando minha solidão sem silêncio ou paz. Descoberta, desmedida, provisória, fraca, retirante. Nada parece começar. Tudo é cedo. Sem sentido. Forçado. Adio lutos sobre lutos. Reinvento a vontade de pra sempre nas lentas músicas românticas. Almejo já sem nem pensar. O corpo se move antes em direção ao impossível. Sempre o impossível. Metralhadora irreconhecível que se atira e fere-se. Mas nada começa, obviamente. No entanto, caminho. Não há mar nem amar. Mas caminho. Uma volta a mais no quarteirão, lua mais que plena, noite alta. Caminho sem reconhecer a cidade ou eu. Cheio de bens nos bolsos. Sei o preço de todas as putas. Sei o frio de todos os mendigos. Sei a solidão da lua alta e do cachorro magro. O quarto deste hotel silencia a minha estupidez. Por favor, leitor, não venha me perguntar o que eu quero… Quero o mar, que me falta água para sentar no chão acarpetado, ouvindo o ar condicionado e chorar.
 

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2 respostas

  1. Em Sampa…Há noites assim. Quando os excessos de concreto e correria,aumentam todas as vozes que sussurram dentro.

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