Revisitando poemas velhinhos

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PATERNIDADE

Há um rio de esgoto
na cidade aberta
cercado de trânsito
por todos os lados.

Urubus negros
se enfrentam
se afrontam
por detritos
em meio à lama negra.

Não quero ser
mas sou
um deles.

A garça branca
contrasta sozinha
com olhos de silêncio…

Ali, no meio,
uma estátua…
uma morta…
silenciosa e incrivelmente branca.
 
E por mais que eu voe
por mais que me afaste em minha negridão
sempre há uma garça branca
na beira do rio
olhando
lá do alto
de seu silêncio alvo
os que não querem
lutar por restos.

 

04/09/03 –

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