ANTIPOÉTICA NÚMERO 2 (SOMOS MAIS!)

querer
de todas as estrelas
a mais impossível, sempre,
como se fosse a última
como se fosse a única…

e roer as unhas do tédio
arfar afoito o não coito
tentar tentar tentar
tornar-se ira corte ataque
(um inimigo, por favor, um inimigo!)
perante a indefinível mão constante
espremendo o peito por demais pulsante
a mão dali
tão grande
o grande não
afastando os lábios com lábia
enquanto a linda boca sorri
a mão daqui a cravar as garras na terra, os dentes na lama
morrer ardente em paixão duradoura e demente
(pela insatisfação, somente)
descontrole contra todo o medo
da morte, da solidão, do vazio
todo dia uma guerra
todo dia vida ou morte
todo dia imprevisível
babar extremos
gigante trêmulo inventado em branco
gigante anão colorido de dor
gigante chorão, criança
defronte do inferno do c-o-t-i-d-i-a-n-o
sem meta, sem utopia, sem religião, sem motivo algum
além dela (oh, ela, ela… romantismo encolhido sob tão antigo coração
vazio)
e, afora isso, ser imprevisível sal, explosível diamante
um guerreiro, um mutante de peito em chamas
não ser humano, mas dinamite…

parece um maravilha
parece plena vida
parece poesia…

– Mas não é!

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