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BEM-VINDO AO SEU INFERNO ASTRAL E DIA DOS NAMORADOS SUBSEQÜENTE

Ele se sentia flertando com uma esfinge. Variante, mutável, ilógica,
imprevisível, mas fascinante. Ao mesmo tempo, insuportável para alguém
sensível. Se isso tudo era um jogo para ela, ele estava admitindo a derrota
e tirando o seu time de campo. Cheque-Mate. Não tinha simplesmente saúde
para semelhante empreitada variante. Um beijo estalado na bochecha na
segunda-feira depois um não-dito nos finais de semana crescendo
continuamente. Uma na semana quente, outra no final de semana ausente. Dando
e tirando qualquer paz ou esperança. Vela acesa ao vento outonal gelado,
sendo o fogo que se encolhia um futuro possível a dois, calmo, romântico,
chato? Convenhamos: se Capitu era a impossibilidade de certezas, Bentinho
era a impossibilidade da possibilidade feliz.

SUCINTO

Vou pelas bordas tênues limitando inutilmente seu tamanho em meu peito.
Beirando tudo, sentido, vontade, eternidade, inconsciente jorrando
vermelho… Beirando Beirut, Capitu, olhos de ressaca… Bentinho pirou, não
resta dúvida. Eu entendo o infeliz. Ando tão rapidamente perto… Agora
Neruda é lindo… “Tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.” Mas que
faremos em três meses? E quando o quente virar morno? Dane-se. Tal qual a
noite sob a luz amarela, meu corpo todo já me responde: dane-se! Estou
totalmente consciente. O saber cansa. A ansiedade em mim é constante,
independente de qualquer saber. Através dela, crio, aliás… Mas qualquer
pressa passa quando estou dentro das asas do teu abraço. Saber cansa. Não
sei mesmo é nada, mas SINTO que o grande desejo meu é ir em frente,
audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve, contigo.

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