Whatever Works (Tudo pode dar certo, EUA, 2009)

Whatever Works (Tudo pode dar certo, EUA, 2009)

É inacreditável. Se repete, mas é. Você dá um mínimo passo na direção certa e vida te premia. Acabo de assistir ao melhor filme da minha vida. Sim, melhor que Matrix. E no momento perfeito…

(Falando do filme daqui pra frente, mas não tem spoiler não.)

Na primeira cena, você já ve que a personagem principal, pra variar, é o Woody Allen, como sempre com alguma pequena mudança nos detalhes… No meu caso, também me senti refletido imediatamente. Mais ainda com a personagem falando diretamente pra câmera, como Machado de Assis conversando com o leitor, que me inspirou a fazer isso em alguns poemas também. É uma obra destruidora de barreiras… Você pode ser o que for, cineasta, poeta, físico, ou passeador de cães, mas saiba que vai se sentir refletido também em uma ou mais personagens. Estamos muito perto, somos basicamente os mesmos desejos, as mesmas agonias, as mesmas dores, os mesmos sintomas, os mesmos sonhos, as mesmas manias… Só mudam pequenos detalhes. E o filme mostra o devir da vida e das relações sem culpar ninguém. Sem culpar ninguém, olha que maravilha essa forma de ver a vida, além do bem e do mal. Exibe magistralmente como as pessoas mudam, crescem, evoluem com o tempo, o viver e o sofrer. A forma como expõe imprevisibilidade da vida me fez sentir melhor que nunca o amor fati de Nietzsche, que sempre misturo com sua teoria do eterno retorno, que, muito resumidamente, nos faz aceitar e afirmar todas as nossas histórias, todo o nosso passado, a ponto de sorrir se tivéssemos que repetir eternamente tudo exatamente igual, para sempre. (Quem quiser bisbilhotar mais minhas filosofadas). É um filme onde você se sente integrado à humanidade, e em paz (mesmo que seja quase um ET, como a personagem principal). E querendo aproveitar as coisas boas da vida (whatever works) no agora, mesmo que acabem, mesmo que mudem, que sofram os efeitos do devir… Alto astral, filosófico, com boas sacadas psi, poético, bem dirigido, diálogos inteligentíssimos, atuações perfeitas (Woody Allen sempre descobre uma mulher linda por quem a câmera se apaixona, e nós junto), centrado em pessoas, humano, demasiado humano… Não deixem de ver com carinho.

Um poetrix, antes de acabar a noite, ainda nessa mesma inspiração:

PRIMAVERA NO OUTONO

Não procurar
nem cortar as flores:
celebrá-las!

 

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