ALVO SOL (E OUTRAS METÁFORAS E GARÇONS E COQUETÉIS)

faltam
três horas
trocentos trinados
trezentos galos
para algum sentido embelezado com auroras e camarões

(lágrima cansada, inútil, sazonal e monótona cá dentro pendurada sem
cebolas)

sempre erro o jeito de entrar
sempre erro o jeito de, discreta e misteriosamente, entrar
sempre erro o jeito de, como quem não entra, entrar
(e também a hora)

restaurante lotado, longe, tudo difícil

luta longa declarada

nó górdio, voadora na nuca

saborear quase o melhor prato
depois insossas batatas
depois cavucar as latas
com a fome aumentando em vez de saciada!

(tudo queimado)

sempre erro a hora de sair
sempre erro a hora de pedir as contas
sempre erro a hora de trincar os dentes
sempre erro a hora de sair
(e também o jeito)

luto

(se eu fosse pro circo seria palhaço)

tudo tão imperfeito sempre
tudo tão agonizantemente pouco

luto

e seguir gritando brilho
no dia seguinte inimaginável
e seguir cantando sempre
amar-elo
sorrindo
adiante
alto alvo avante
(até a próxima morte
até a próxima noiva
até a próxima noite
até a última)

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