Publicando poemas antigos rascunhados – parte 2 de 2

BRILHO ANTIGO DAS TÉCNICAS DE BOICOTE

por onde antes passava um rio
hoje há um desvio
escuro

tem um muro
no meio
de mim

ENFEITIÇADO

há uma beleza intocável
no mistério inominável
da esfinge quente
que abraça, entretanto
cala
entretanto, sente

POEMA DR

mas me diga,
amada,
o que estamos fazendo?

pra onde vamos juntos
assim tão repentinamente
continuamente
semanalmente
s-e-p-a-r-a-d-o-s?

DO NÃO FALAR

antes de falar
cabe
terminar o chá

🙂

Ó pai celeste,
até o House
conseguiu…

BEM-VINDO AO SEU INFERNO ASTRAL E DIA DOS NAMORADOS SUBSEQÜENTE

Ele se sentia flertando com uma esfinge. Variante, mutável, ilógica,
imprevisível, mas fascinante. Ao mesmo tempo, insuportável para alguém
sensível. Se isso tudo era um jogo para ela, ele estava admitindo a derrota
e tirando o seu time de campo. Cheque-Mate. Não tinha simplesmente saúde
para semelhante empreitada variante. Um beijo estalado na bochecha na
segunda-feira depois um não-dito nos finais de semana crescendo
continuamente. Uma na semana quente, outra no final de semana ausente. Dando
e tirando qualquer paz ou esperança. Vela acesa ao vento outonal gelado,
sendo o fogo que se encolhia um futuro possível a dois, calmo, romântico,
chato? Convenhamos: se Capitu era a impossibilidade de certezas, Bentinho
era a impossibilidade da possibilidade feliz.

INFELIZMENTE…

Respiro
entre urros não dados
e muros não derrubados…

Em que diabos
estou
preso?

Hora de voltar
pra Yoga
e pra mim mesmo.

(Hora de publicar
todo e qualquer rascunho…)

U TEM CÍLIOS DE ESCRITÓRIO

É hora de virar a mesa.
De quebrar a porra toda.
É hora de virar a mesa?

PAZ?

O meu céu
(o meu seu)
é mais quente que o inferno.

OPS

Grito extinto na costela
Instinto de grito
Varonil
Decreto:
Puta que o pariu!

VENDO UMA ALMA

Ouvir New Age
sendo Rock
COM UMA ETIQUETA PINICANDO NA CAMISA.

obo-és enormes
sendo lança-camas

camas enormes
vendo infuturos

um caminho impossível
uma raiva
uma carta
um coringa

Ouvir New Age
sendo rock
COM UMA ETIQUETA PINICANDO NA CAMISA!

OLHANDO TODA A JORNADA…

vivo dias plenos de agora
um agora que assusta qualquer além
plenitude bem musicada
a chegada, ah, a chegada
beleza clássica, leveza, perfeição, consoada
sentido em cada loucura passada, desalento, tropeção
se eu morresse amanhã, Azevedo
perderia isso tudo

ANSIOLÍTICO NÚMERO 3: ELA

Eu não lembrava disso:
Não há sossego.
Eu não lembrava
que não há sossego.
Longe, perto, de ponta cabeça…
Não

sossego!

ER(R)OS PRIMEIRO (O PRIMEIRO POEMA DELA)

Os astros do trânsito mandam recolhimento
Enquanto eu rio de meu espalhamento
O rio irremediavelmente deflui com mais e mais águas
Nesse espelho tão espelhado mui possivelmente imaginário
De já achar esse encontro cósmico, pré-determinado, mágico…
(Maktub, Saravá, pode levar minha costela de Adão descrente.)

Tantas vezes tentar…
Tantas vezes, Cartola…
Lágrimas vindouras… Mar nos ouvidos…
Aviário trancado a ouro e dentes nos bicos
(Bonito demais… Perigo demais…)
Quando se abre, ganha o ar, evapora, debate, vai-te embora,
Asas longe, mordeduras de silêncio, e o pior: "amizade".

No entanto, tonto de mim
Prolongo este estágio probatório não remunerado (mas com ganhos)
Entre o não e o sim possíveis
Que torna janelas quadros de Monet
Peitos, tambores descompassados
Músicas, coros de anjos femininos perfeitos adjetivos nos retratos palavras
Palavras…
Palavras não bastam, Doutores!

Esse estágio intermediário, dourado com brumas e lantejoulas
Entre a empolgação total e a possível derrota em contrato assinado em duas
vias
(Sem mais para ambas as partes, subscrevo… Culpado! POF!)

De um lado, o desespero
De saber não poder segurar na mão de deus e ir
De deixar ser e a vida levar
De saber que nada é o que tinha que ser sem o mover do seu sagrado pé
próprio
Na exata direção do que QUER todo o seu ser…
(Tua alva mão ao lado, além disso, a chamar a chama adolescente…)

No entanto, o vínculo empregatício…
No entanto, a perfeição demasiadamente plena perante esses olhos abismais…
No entanto, os astros, os amantes de sábado…
No entanto, o tempo, o tempo total e miseravelmente errado…
E eu congelado, quase me contentando com o quase…

Uma resposta

  1. Adoro a publicação de todo e qualquer rascunho ;)Ri muito com: "Ó pai celeste, até o House conseguiu…"haha… boa!Beijo.

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