Desencavando velharias racionalizantes

Minhas raras relações com mulheres pela vida afora foram diminuindo tanto
que me sinto uma espécie de monstro, com um peito em forma de carência.
(Quantos anos, meu Deus inexistente? Quantos milênios?) Houve um tempo em
que meses de beijos e semelhanças e carinhos não bastavam para que eu
chegasse perto de me apaixonar. Hoje, basta um olhar instantâneo, um
perfume, um sorriso de Mona Lisa e pronto… Trago Vinícius, sem música, na
alma. E prevejo o maldito dia em que eu chegue ao Nirvana por receber um
aperto de mão de uma mulher.

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Enquanto isso o que vejo são elas querendo não perder seus canalhas. Lei
aparentemente imutável desde, pelo menos, Nelson Rodrigues. Noto o esforço
de cada uma, o esforço patético de não perder alguém que lhes faz mais mal
do que bem. Mas exagero: nem todos são canalhas. Talvez apenas mentirosos…
Talvez apenas melhores jogadores, por saber deixá-las estrategicamente
sofrendo esperando uma ligação ou um orgasmo. Talvez não sejam apenas
bonzinhos carentes como este que vos escreve, exposto, aberto, bonzinho,
carente. E sozinho.

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