LAVA

( um poema rio lendo Buccario – )

eu rio do poeta e de mim mesmo
plantando semente de letra
numa Terra dessas
(rio de fora, no entanto, dentro)
Terra toda água
toda inquebrantável
toda pedra
toda vazio
desolação
vocabulário
deserto de certo com água em excesso

eu rio
pra não choramingar
dos poetas Sísifos-Fênix curvados de tanta lavada na orelha
olhos forçados a ver fora
uma força ferrada para erguer o olhar pra musa
por mínimos instantes
uma força ferrada para suportar ou sair
da solidão da montanha nietzschiana
uma força ferrada para celebrar
as grandes e maravilhosas conquistas burguesas
uma força ferrada
para achar um motivo (tal qual salvar o universo)
para fazer uma força ferrada
enquanto o rio (que deflui, tranqüilo)
sem exceção ou pena
molha
e leva
todas
TODAS
todas as raras raríssimas

(eu rio, mas ao menos rio irmanado)

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