OBITUSAN

falta

falta

é incomensurável
há uma flauta de poesia morta
na esfinge que finge
na estante do antes
que te come o ser

derramo musgos e líquens
de poros pelos pernas
tudo que vive e morro
sem ventos
uivando

há uma falta
de ouvidos
aqui
e

(quando eu começar
a joãocabaldemelonetear
é que virei meu sobrenome:
me quebrem)

há uma raiva
e acreditem
não sei bem
contra que
ou contra quem

acreditem

andar na praia de noite
e perder poemas no escuro
sem forças para mudar de roupa
arrastando um casaco de couro
sem ânimo de fazer Yoga
não me interessando minimamente por absolutamente NADA

tapo
ouvidos
ouvindo
música
mas nenhum som pode substituir mais tempo

o tempo de que falei
é tempo
de falar
do tempo:
o tempo pra dormir não basta nunca
e dormir ou acordar não basta nunca
nada basta nunca
o descanso no ônibus não descansa
esperemos o feriado
daí chega o feriado
e que merda de feriado
e acaba o feriado
e lá se foi o feriado
musiquinha do Fantástico

mas sim
sim sim
salabim
talvez eu esteja apenas
me a-d-a-p-t-a-n-d-o à essa maldita L–E–N–T–I–D–ÖO
e tudo passe com o fluir do tempo
e ao pingar meu último musgo vivo
eu siga vivo
sim
sim
líquens já

tirando esse cansaço eterno
melhor estar lá sem terno
que na auto-prisão de meu quarto mesmo

ou não

no momento
sem mais para o momento
foda-se

3 respostas

  1. Nossa! Isso tudo se passando pela sua cabeça? Ainda bem que fez poesia, ou iria te enlouquecer! (espero que não enlouqueça mesmo após a poesia).Abraços!

  2. Adorei seu blog. Amo escrever poemas. Visite os meus outros espaços literários. Beijos com carinho! (sem ponto depois do www).www.marquesiano.blogspot.com

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