AS HORAS

“Ninguém encontra a paz evitando a vida, Leonard.”

Para Virginia Woolf e todas as minhas psicanalistas

estou leve
e quero fazer um poema longo
aninhado no que sempre fui

logo

odeio festas

mas isso é um detalhe

em algum lugar do mundo
deve haver um artista ruim e feliz
dançando a macarena
a micareta
a pocahontas
algo assim

dito isso
o poeta morrerá

atirar-se

atirar

atirar
o vazio
do peito
pra frente
e passar
a vida
correndo atrás

e chegar

alto

do alto do morro

do ponto de máximo
da parábola perfeita e mensurável e fria

os escritores enxergamos
por baixo dos sorrisos, conformismos e segurança
o lindo terror humano

nosso olhar
não é jamais apático
menos ainda atento ao que deveria

queima de algo mais forte e fundo
como um mar que invade um quarto seco e quadrado
em segundos

sal

o sal do mundo

(ovos que se quebram)

desistir é renascer

os trens nos atraem
traem
traíras
traímos
gostamos de passear

vozes

silêncios

nada ou ninguém nos pode curar

lutamos
sozinhos
no escuro

e conseguimos tornar mais doente
pelo menos um pouquinho
esse mundo perfeito
e são

são

10 respostas

  1. Fabio,as horas, nas horas vá sempre: nas flores do mais.—-Devagar escrevauma primeira letraescrevanas imediações construídaspelos furacões;devagar meçaa primeira pássarabisonha queriscaro pano de bocaabertosobre os vendavais;devagar imponhao pulsoque melhorsouber sangrarsobre a facadas marés;devagar imprimao primeiro olharsobre o galope molhadodos animais;devagarpeça maise mais emais.Cesar, Ana Cristina Abraços vaso!Priscila Cáliga

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