AZRAEL NA COVA DOS LEÕES

desde antes
desde muito antes

caminho na praia
e o asfalto
o asfalto
são pedras
pedras que se abrem
(e não chuto pra debaixo do tapete)
adentro cavernas de mim mesmo
escuras
profundas

ao longe
lá fora
pianos leves

descendo
percebo
um leão
todo formado
de coisas ínfimas
(em cada escama)

carrego um leão
pesado
que se alimenta
de si mesmo
aumenta até o insuportável
e depois mais ainda
(ao ter raiva de ter raiva por algo tão pequeno)
guarda todas as tempestades
num copo mágoa
enche meus olhos fechados
de movimentos erráticos anti-sono
e ruge honra e pesa rancor
mais e mais
até que deixo ele ir
idiota

dessem-lhe
um lança-chamas
e um ponto de apoio
e ele queimaria o mundo

4 respostas

  1. "dessem-lheum lança-chamase um ponto de apoioe ele queimaria o mundo"… E o céu né Fabião?Lembra? 'Um dia desses críaremos algo que andará milhões em tempo, pra frente[…] E tudo então acabará, ex-plo-di-da-men-te"! =DGenial esses teus poemas!

  2. Fa´bio, noto que seus poemas estão maiores e cada vez mais intensos. Gostei dessa ideia dos leões, gostei de seu poemade verdade. beijo.

  3. "dessem-lheum lança-chamase um ponto de apoioe ele queimaria o mundo"Vou esconder, muito bem escondido, o meu lança-chamas, mas deixarei que você encontre canetas, lápis e teclados para continuar poetando, Fabio.Abração

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