SORRISO MÚTUO DE CUMPLICIDADE

Para Edson Marques

Sou eu e o céu novamente
o mesmo céu
o mesmo eu
ambos diferentes.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=bcR63fPtSLs&hl=pt_BR&fs=1&&w=425&h=344]

Cena que me inspirará para sempre… Não deixem de ver (e ouvir).

O filme é “Minha amada imortal”, sobre Beethoven. Nesta cena, ele já está velho e surdo (parece que ficou surdo também de tanto apanhar na cabeça, do seu próprio pai), e o diretor tenta mostrar uma versão do que teria inspirado esse gênio a compor a Nona Sinfonia (que toca ao fundo a cena toda – a Ode a alegria). Há uma mistura linda do Beethoven velho e surdo imaginando sua própria obra sendo tocada, sem poder ouvi-la, e voltando às memórias do que o teria inspirado a compô-la, quando criança. É simplesmente perfeita… Arrepiante.

A Nona Sinfonia de Beethoven é considerada por muitos a maior obra de arte de todos os tempos. Beethoven a ofereceu como pedido de desculpas para a humanidade pelo seu comportamento muitas vezes irado, numa carta. Uma curiosidade: A capacidade de um CD (74 minutos) foi configurada para que desse nele toda a Nona Sinfonia.

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12 respostas

  1. Fábio, ave rara,Beethoven! Maravilhoso! Lembra-me de um filme: O Segredo de Beethoven. -O que foi? Não entendo maestro. Onde o movimento termina?-Ele não termina. Ele flui. Pare de pensar em termos de início e fim. Não é uma ponte do seu homem de ferro. É algo vivo. Como nuvens em formação ou a mudança das marés.-Como funciona musicalmente?-Não funciona. Cresce. Veja: O 1º movimento se torn ao 2º. A cada ideia que morre, uma nova nasce. Na sua música está obcecada pela estrutura e pela forma correta. Precisa ouvir a voz dentro de você. Pois só consegui me ouvir depois de surdo. Mas não desejo que fique surda, minha cara.-Devo achar o silêncio em mim para ouvir a música? -Sim. O silêncio é fundamental. O silêncio entre as notas. Quando esse silêncio a envolver, então, sua alma poderá cantar. Minha cara, tens consciência do que significa pra mim? Nesses anos, vivi com medo de estar sozinho. Como um homem numa prisão, até que o criador a enviou, e eu lhe passei as notas através das grades. Você é a chave da minha soltura.-Em que tom começa?-Sem tom!-Sem tom?-Não pode escrever música sem tom.-A única maneira de escrever isso é sem armadura. Vaso precioso,obrigada pelo post, pois me faz voltar ao baú. E [re]lembrar que o escrito, partitura de movimento é sem tom, em que o sangue dança no papel e na retina.Paz,Priscila Cáliga

  2. Fábio,é grito na mera mortal e por trilho racional que asfixia. Da busca em compasso ligado no descartilhado e desregrado. O violino, semínimas. Dó central, sobindo para lá. Anotando o tom a começar. Um hino à flor da pele, não poupando a ação do amor na ossada. E crescendo, ganhar força. A voz delicada, pairando acima pela graça. Sim! Crescendo, multiplicando no profundo e a superfície bradar sem armadura, pois a epiderme é o som que se ouve em tinta na tela. Sentindo-se quente e abraçada. As nuvens se abrindo no improvável. Mãos amorosas estendendo para a valsa, e que elevam-se os céus e os anjos se silenciam para escutar os passos no salão. O cello por ficar preso ao território não por instantes, mas no qual se pode viver para sempre. O tempo é eterno. Ah, sempre o perder e o encontrar por parte do vento em cenas de um filme colorido. O ler encontral como quem adia o fim de um livro. A leveza na palma das mãos que guarda calor da data e local, num ativar na memória o arrepio delicioso do afeto e as frases onde encontra e deixa comovida. Lugares atuando o despertar do particular e o deliciar do artista pela demora nas entrelinhas, rapidamente o acenar do sorriso entreaberto nos lábios. O ser encontrada denotando letras tatuadas no livro da memória ao recanto especial; tal sentido nas curvas de um parágrafo como sabor vindouro dos próximos capítulos. Espiar tão operante que procria cartas, bilhetes e fotos; sorrisos e braços no cruzamento da história que se encontra. Sublinhar de palavras que apontam o caminho por dentro do ser íntimo. Dobrar páginas para não esquecer o ler andado, no intuito ao grafite pelos próprios dedos. Suave encontro [ar] que decodifica predicados podres na alma e coração substantivo, mas ao ler pretérito atuar demorado e perfeito. Tal caminhar desenhando um esboço que não apaga do eu-sou, sou-eu o que não consegue esquecer. Visão inerte viajando por um lugar inexplicável que toca a face e paralisa agradavelmente o eu tanto confuso, assim evitando a última palavra, a derradeira página com jeito bailante de ponto final. Multiplicando pretextos para que os caracteres não se esgotem, pois as formalidades vão de tudo, segundo a segundo, como uma grande estréia. Mas, deixando-se embalar pelo som do mar. Sobre a areia que conhece todos os segredos.psicografo,Priscila CáligaBem, agora vou indo, até o próximo pouso.Paz Ave Rara!

  3. Nós, poetas, de certa forma musicamos as linhas em branco…Mesmo sem rimas , o poema evoca musicalidade.Mesmo surdo, Beethoven, compôs esta genialidade.Obrigado pela visita.Abraço.Ricardo Mainieri

  4. Fábio,Este foi magistral!..Acordou-me este:"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma pra sempre." [Clarice Lispector]Beijos… [Agora vamos à música!]…Katyuscia

  5. Que demais, Ka! Tudo a evr com esse da Clarice. Eu também achei dos meus melhores poemas recentes esse! Que bom você ter gostado!! 🙂 Olha só essa cena e essa música…

  6. Fábio,Arrepiada com toda a cena, especialmente com a parte do lago.Tinha de te vir agradecer por este momento, pela dica e pela leitura das tuas impressões aqui.Já está na lista dos filmes que brevemente verei.Um beijo….Katyuscia

  7. Ô, Ka, que delícia saber que também te tocou assim! Esse é dos melhores filmes que já vi, e a música é a melhor que já ouvi… E essa, achei a melhor cena do filme todo. Espero que não estrague a surpresa quando vir o filme todo… 🙂 Ah, se curtir, "O segredo de Beethoven" é mais recente e também muito bom (mas acho o "Minha Amada Imortal" ainda melhor). Beijos felizes

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