A MORTE, O FIM, A DESPEDIDA, A TRANSITORIEDADE E O MEDO NO INCONSCIENTE DO EU LÍRICO DORMENTE (UMA PSICO-ANÁLISE VIA POESIA)

A festa acabou
na casa antiga
e enorme.

É tarde.

Pessoas demais.

Não quero ler mais nada.

Apago as luzes acesas
tranco as portas escancaradas
que é noite ainda
madrugada.

Noite.

Vozes me acompanham
e um cão em ossos negros
morto
anda comigo.

No quarto antigo
e meu
uma paixão mal acabada fala mal de mim
a amada
deitada nos braços de outro cara
feio asqueroso filha da puta burro
e deixo minha cama bem grande e minha
para transarem em cima pela noite adentro
sem dizer nada
sem dizer
nada…

Enquanto isso
uma por vir
e outra iniciada.

Mudam os nomes
e datas
(às vezes, nem isso).

Pessoas demais.

Desço as escadas
trancando a apagando
e nunca parece bastar.

Pessoas demais.

Amando?
Amando quem, caralho?
A mando de quem, amar?

Quero uma só.

Quero uma só?

Quero uma só
que não me seja faca
só lâmina
no final…

Mas sem ser fraca
não perca o brilho
do metal.

Uma
só.

As vozes de fora
me falam de alguém me chamando
perto da máquina de lavar.

É minha irmã bem casada
no chão, sem queixo, machucada
tentando se proteger do cachorro sem plumas
maldito manco morto deformado e negro.

Alguém chama
uma ambulância?

Pessoas?

Vozes de fora?

Alguém?

Do cão
do fim
eu te protejo.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Bdpc_DFWhjI&hl=pt_BR&fs=1&&w=425&h=344]

7 respostas

  1. Que bom, Renata! Eu tenho sonhado cada loucura atordoante… Às vezes, viram poemas que me ajudam também a analisar a negritude de meu inconsciente indomável. Às vezes, já sonho em versos, sem pesadelos, e acordo digitando poemas inteiros de paz… Beijos

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