CONTO DE NATAL – UMA HISTÓRIA DE AMOR

Julinha amava Logan. Quando ele cuspia no chão, ela corria pra limpar e pedia desculpas. Enquanto isso, ele se perguntava constantemente o que admirava nela… Será que a amava? Mas amor não seria baseado na admiração? Ela não criava nada admirável… Logan queria amor livre nessa época. Lia Roberto Freire e Edson Marques. Houve choro e desconversa, mas continuaram juntos. Com o tempo, Logan foi se acostumando mais e mais com o amor desmedido e incondicional, o carinho, o companheirismo, a troca de confidências, a análise de sonhos dividida, a proteção, o afeto, ele sempre com razão, ela dirigindo pra ele, lendo e relendo toda a sua obra, fazendo comida pra ele, o sexo da forma que ele mandasse (escondido dos pais dela)… Logan amava Julinha. Em três anos, ele engordou dez quilos, entrou em depressão, parou de ler, trancou a faculdade, quase não saía mais do quarto, largou o emprego, brigou com o melhor amigo e se viciou em jogos de computador. E Logan não parou aí: quis que essa maravilha fosse pra sempre (apesar de sua admiração teórica por Heráclito) e pediu Julinha em casamento (apesar de sua admiração teórica por Nietzsche). Obviamente, ela viajou com os pais num fim de semana e nunca mais falou com Logan. Tinha medo dele. Ele tocou as barbas da morte e do nada. Mas refez-se em três meses e voltou ao que era antes (talvez melhor). Tinha nojo dela.

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