GLÁUCIO GIL, RECREIO DOS BANDEIRANTES

Postes amarelos
alongam-me nas ruas.

Piscam vermelhas luzes
de antenas para celulares
no alto dos prédios apagados.

Caminho
exausto e feliz
pelo silêncio.

(Feliz
por não estar
mais parado.)

Jacarés não aparecem…
Mas uma capivara enorme
e gorda
pára de comer
quando paro de andar.

Nos olhamos
tentando
nos abismar.

Sigo.
Ela come.

Uma estrela
entre nuvens
nos abençoa.

Dia cheio
de literalidade:
Desejo um fantasma
o curupira
um disco-voador…

Mas a noite
a mesma noite
segue
seus grilos
apenas.

(E isso
não é
pouco.)

Sorrio por dentro
pois além da brutalidade
das matérias do dia longo
(e dos seus etéreos sonhos materiais)
vence o cheiro de jasmim.

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