RE IN VENTO

Após duas maracuginas
dormi cedo
e pela primeira vez
(talvez desde sempre)
vi o sol subir do mar.

Gaivotas
e urubus
me sobrevoam
sonolentos
enigmáticos.

Vou pra luz refletida no azul
sobre o laranja
entre brumas e morros fantasmas
de aquarelas não pintadas…

Porém, luz
porém, caminho
porém, sigo!

Caminho em direção ao sol
querendo encontrar de novo
beleza que não seja triste
silêncio que não seja dor
solidão que não seja sofrimento.

(A praia quase deserta.
O mar trovoando
para ninguém ouvir.
Ninguém.
Ninguém.)

Passa meia hora
cheia de passos decididos
em direção ao sol.
Canso.
Volto no sentido contrário
exatamente para onde tudo começou.
Desistindo de exatamente tudo
para onde eu ia…

Carros poluem os sentidos
cheios de uma pessoa em cada.
Arrumadas
indo trabalhar
com pressa.

Deus, deus
(seus, meus, zeus)
por que me abandonaste?

Daqui a cinco anos
quero ser adulto, independente,
o sonho da casa própria realizado
e com alguns milhões em minha conta bancária
para não ter que ter metas
para os próximos cinco anos.

O pontal se recupera do incêndio
esverdejando novamente
aos poucos
lentamente.

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