Manifesto contra Concursos Literários CAÇA-NÍQUEIS

Só hoje recebi 2 (dois) ilustres convites para concursos literários em meu e-mail, sendo um com taxa de inscrição já descarada (7º CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CONTOS E POESIAS / 2009 – o valor de cada inscrição é de R$ 30,00) e outro livre de taxa para quem inscrever apenas um poema, mas com a seguinte armadilha ao final das explicações no segundo e-mail: “A única obrigação do classificado é aquisição mínima de 05 exemplares da coletânea onde estará sua(s) poesia(s) a um custo de R$ 20,00 por exemplar, totalizando um custo final de R$ 100” (Projeto 48 horas – CONCURSO “LATINIDADE POÉTICA” O melhor da poesia Latino-americana), é a hora de abrir o verbo quanto a esses concursos caça-níqueis, onde já se paga logo de cara para depois ganhar no máximo um troféu de lata, julgado por uma banca de literatos nunca divulgada, ou disfarçadamente vai-se caindo na armadilha de pagar por não sei quantos exemplares de um livro-coletânea com um poema seu e 99 páginas cheias de outros péssimos.

Hoje é fácil demais divulgar essas porcarias pela internet (redes sociais, spam via e-mail mesmo, sites, blogs etc.) e atrair novos escritores querendo reconhecimento. Ou testar suas reais habilidades na escrita, como eu mesmo já fiz há alguns anos… Se bem que sempre selecionei concursos que pareciam sérios. Praticamente abandonei esse tipo de coisa e agora apenas participo raramente, mesmo quando a inscrição é realmente grátis – sem armadilhas embutidas – e há bons prêmios em dinheiro ou outra coisa que valha a pena. Mesmo assim é raro. Acho um saco selecionar poemas pra isso, e a quantidade de normas que há em cada concurso, a imbecilidade do ineditismo etc. Não quero mais saber de concurso para status ou autoafirmação e nem acredito mais na filosofia mesma por trás disso tudo, de uma disputa entre textos… E ter uma banca, ou alguém julgando se um poema (ou qualquer texto) é melhor que outro. Sempre vai ser melhor para alguém, mas pior para outro alguém… Não importa quem julgue, não se pode nunca ser categórico numa decisão pessoal e sempre subjetiva.

Dicas de um ex-participante-de-tudo-que aparecia-pela-frente-desde-que-grátis: Os concursos organizados por prefeituras ou entidades mais sérias geralmente são mais confiáveis. Outra coisa que deve ser notada é que quando as chamadas “comissões julgadoras” ou “bancas julgadoras” são secretas, com “profissionais renomados na área”, mas com os nomes renomadamente não ditos, mesmo após o fim do evento, há uma grande chance de a ilustre comissão ser apenas o organizador julgando seu texto, para cortar custos. Fique atento também se o concurso pede “textos inéditos”. Seriam inéditos em que sentido? Não publicados em livro? Na internet? Não enviados por email? Não enviados para outros concursos? Não mostrados para a mamãe? Essa imbecilidade geralmente nunca fica clara nas regras…

Pra finalizar, um conselho ao escritor que ainda busca essas coisas: só importa mesmo é se VOCÊ gosta do que escreve… E como bem disse Rainer Maria Rilke em seu livro Cartas a um jovem poeta, “Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas razões pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: Sou mesmo forçado a escrever? Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples sou, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.”

Se esse for seu caso, para de gastar seu dinheiro com essas porcarias, e faça um blog. Ou, se quiser muuuito ter um livro em papel, busque uma editora que não te cobre nada.

P.S.: Há exceções, é bom que se diga… Talvez o concurso que fiquei mais feliz de participar (e ficar entre os vencedores) foi o “Poemas no ônibus” (11a e 12a edição), da prefeitura de Porto Alegre (inscrição grátis 🙂 ). Os poemas vencedores ficaram o ano todo andando grudados nos ônibus da cidade… A estimativa da prefeitura do número de leitores era de um milhão por dia! Melhor que dinheiro um prêmio desses. 🙂

P.S.2: Se quiser participar, atualmente há um blog sem fins lucrativos que está organizando e divulgando muito bem os concursos literários: http://concursos-literarios.blogspot.com.br/

 

7 respostas

  1. fabio, eu tbm participei de um concurso literário. era da prefeitura de campos dos goytacazes e eu, ingenuamente, acreditei que por ser um concurso literário, mesmo na terrinha do nosso ‘querido’ ex-governador e honrada ‘ ex-governadora’ (que por acaso ganhou a eleição nessa distinta cidade) não teria trambicagem… hahahaaeu fiquei entre os finalistas, mas se vc ler os abre aspas poemas fecha aspas, dá vontade de socar a cara de todos eles… pior, meu poema vai sair no tal livro junto com aquelas aberrações… só não reclamo mais, porque não tenho que comprá-lo… ahahaha

  2. Muito oportuna, sua denúncia. Tem muita arapuca por aí disfarçada por vernizes pseudoculturais. Não embarquemos nessa, é uma roubada!

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