MÍSTICA

O que eu busco
é o mistério
a surpresa
o encantamento
a empolgação
a superação
a vontade
o desejo…

(Mas o que tenho mesmo é o mesmo,
e o medo de sair do mesmo
me mantém mesmo
no mesmo.)

No caminho
sonhei apenas comunhões
onde havia distâncias
e afastei muitos próximos
muito próximos
nos intervalos comerciais…

Percorri vulcões ortodoxos cheios de gentes
gargarejando nada
e cuspindo metas
a ditar caminhos…

Senti o grande martelo
quebrar algum sentido
e uns e outros mundos…

Sacolejei em vícios lúdicos
rastejei por ouro e futuro
sofri pelo passado deitado…

E hoje me vejo parado
e hoje me vejo sozinho
e hoje vejo
que talvez nunca
tenha conseguido ver
algo que não seja eu…

Afora isso,
sigo parado e sozinho,
com a quase certeza,
mesmo parado e sozinho,
de nada estar além do agora,
de tudo o que preciso
morar no instante,
no entanto,
intocável de tão perto.

7 respostas

  1. Raro. Um poema seu longo e com a primeira pessoa. Adorei a marcação dos versos e o tempo. O poema me passou uma sensação de solidão quase dolorosa. Talvez até tenha sido dolorosa de fato, no momento estou entorpecido demais para sentir dor mesmo lol.Ja-ne. Como tá a UERJ, sabes?

  2. oi, fabio!depois de um afastamento desse (estive viajando), encontrar um poema como o seu, assim tão bom, tão verdadeiro e tão profundo… isso é tbm uma experiência mística, para mim… :)beijos

  3. Shonin, te mandei email, mas acho que não leu… Antes, tinha te ligado, mas fora de área… 🙂 Queria desejar um feliz 2009!! A UERJ tá 100% de volta! Quando puder me ligue! Ja-ne.Meninas, que prazer agradar vocês duas com um poema só [:)], poetas blogueiras favoritas! 🙂 Acho que há um dilema nesse tema… Talvez seja algo impossível estar totalmente satisfeito com o instante, o agora, e produzir arte… (Isso após ver o documentário sobre a vida de Daniel Johnston na HBO…) Falei disso no poema novo, pois agora acho que faltou nesse. Talvez morar no instante não seja para nós. Que acham? 🙂 Beijos

  4. Lindo o longo poema. Trajetória! Profundo e pouco usual. Acho que vc não precisa viver o instante todo o tempo e não se indignar. Alguns melhores minutos te querem ali. E só. E o tempo é infinito nos prazeres. Nesses momentos fique, curta, sinta, respire devagar. Nos outros dias mortais sim, pode ser instisfeito, revoltar-se e fazer sua arte. 🙂 beijos

  5. fiquei honrada com teus comentários!pq acho vc um excelente poeta, que sabe escrever tão bem até as mais complexas sensações do indivíduo. esse poema é um exemplo!”Mas o que tenho mesmo é o mesmo,e o medo de sair do mesmo”me sinto assim agora…rsum grande abraço!

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