Entrevista sobre consumo consciente pro Globo.com

– O que você entende por consumo consciente?

Consumo consciente é consumir bem, e também consumir menos.

Resistir ao consumismo, aos estímulos do marketing e a propaganda nos bombardeia o tempo todo através de cada vez mais meios, nos fazendo querer algo de que realmente – analisando bem – não precisamos. Nesse sentido, talvez Epicuro tenha sido o primeiro a defender o consumo consciente, tendo sua filosofia mostrado que quanto mais difícil é algo que queremos, menos precisamos realmente daquilo. Para ele, o básico, a ausência de dor, de fome e de sono, já bastaria para a felicidade.

Além disso, consumo consciente é reciclar, reutilizar. Já que o planeta não pode ser visto como uma fonte inesgotável e, por outro lado, nosso lixo não tem ainda uma solução na maioria das cidades, apenas se acumulando de forma não planejada.

Quando não houver jeito senão consumir, consumir com consciência é selecionar muito bem de quem comprar. É se informar e ,sempre que houver concorrência entre produtos, não se preocupar apenas com os custos, e favorecer organizações com consciência social, econômica e ecológica.

– Você sempre foi um consumidor consciente? Ou adotou essa atitude a partir de algum momento da vida? Por quê?

Sempre pesquisei preços, e tive uma tendência a não entrar no consumismo exacerbado que vivemos na contemporaneidade. Mas não percebi o quanto podemos contribuir com toda a sociedade e com todo o planeta nas mínimas escolhas que podemos fazer ao consumir, até ler a revista “O Globo” (ano 2, No 87) sobre “Consumo engajado”.

– Você tem algum exemplo pessoal do que é consumir conscientemente?

Sim, ultimamente, por exemplo, me impressionei com os benefícios globais do consumo de alimentos orgânicos. Mesmo sendo um pouco mais caros. Além dos benefícios para a saúde de quem os consome, todo o processo da agricultura não contamina com agrotóxicos os lençóis freáticos, de onde o gado ou outros animais podem acabar bebendo e nos contaminando indiretamente. Além disso, geralmente são pequenos produtores que cultivam orgânicos, e consumir seus produtos fortalece essa prática. Quanto mais informação o consumidor tiver e buscar, mais consumirá bem.

Um anti-exemplo de consumo consciente que gosto de citar seria o de alguém que compra um tênis pela marca, influenciado pela propaganda. Pelo puro status ele compra, apenas, mesmo sendo até mais caro neste caso… Não sabendo (ou não se importando) que a empresa fabricante usa mão-de-obra infantil de países subdesenvolvidos, que o couro do calçado não se decompõe nem em milhões de anos, que a remessa de lucros para o exterior da empresa transnacional é pouco taxada, trazendo pouco ou nenhum benefício para os países envolvidos além de sub-empregos, etc.

(Para Guilherme Amado, jornalista da Globo.com)

2 respostas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *