DA NOVA PRIMEIRA SESSÃO DE PSICANÁLISE

Acho a sala. Porta de vidro. Me aproximo. Algo em mim quer correr. Cavalos no peito. Porta de vidro. Hora certinha (um pouco antes até). Alguém lá dentro me olha. Empurro a porta. Trava. Pergunto ao alguém se está trancada. Ela, sem muita firmeza, manda insistir. Empurro. Trava. Olho pra ela. Cara de perdida também. Puxo. Abre. Algo me diz que ela não é a psicanalista. Digo que tenho hora marcada. Mas, após 3 palavras, vejo que também não é secretária. Sento, esperando. Sala com cheiro de tinta. Psicanalista atrasa? Algo em mim quer achar motivo para correr. Cavalos no peito. Rio de mim mesmo. Ela diz que a psicanalista deve estar em sessão. Anota algo na agenda. Olho para as revistas ao lado. Desinteresse total sobre o homossexualismo no exército. Penso em pegar outra delas, para ter para onde olhar. Mas logo desisto. Acabo observando ela. Que diabos tanto anota na agenda? Ela oferece água. Recuso. Algo está constantemente zunindo, zumbindo, baixinho… Acho que é a geladeirinha sob o galão de água. Que apito infernal. É como se vibrasse no mesmo tom da minha tontura, que quase se mostra no palco entre as minhas orelhas. Pensando bem, tem sempre algo elétrico zumbindo onde quer que estejamos… Ela some por uma porta. Será que meu olhar e minha tontura zumbindo a espantaram? Sofá meio de palha desconfortável. Cavalos no peito. Rio de mim mesmo tão desesperado por nada. Nada? Aliás, desde sempre tenho vontade de rir de algo no mistério da psicanálise. O cheiro de tinta melhora. Ou me acostumo. Mas algo em mim ainda quer correr. Oceanos que preferem estar abaixo da superfície.

2 respostas

  1. ola…tanta verdade nesse texto…me vi em uma sala de esperar…..a esperar e observar…detalhes contidos..teto..janelas…e sons desconhecidos…..helocrosio

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