Entrevista de Luc Ferry na Globo News

Segue o belo trabalho do Márcio Val, amigo da Filosofia na UERJ, sobra a entrevista do Luc Ferry na Globo News, onde ele resume algumas de suas principais idéias, inclusive as do livro que estou lendo agora “Aprender a Viver”, que, mesmo antes de acabar, já recomendo, pela linguagem acessível e resumos bem feitos (apesar de algumas discordâncias: supervalorização de Descartes e Rosseau – coincidentemente franceses – e críticas a Nietzsche – alemão – tentando uma análise puramente lógica desse pensador que vai tão além da lógica banal, além de uma interpretação bizonha do “amor fati” como resignação). 🙂

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Durante uma entrevista na Globo News, o filósofo francês Luc Ferry analisa a evolução do pensamento filosófico na Europa. Ele divide o pensamento filosófico em 4 grupos: o primeiro no qual a figura de Deus é central, sendo toda e qualquer figura além desta secundária; o segundo no qual a figura central é a Pátria ou Nação; a terceira, onde a figura central agora é a Revolução, a transformação socialista/nazista e a atual que seria o individualismo, onde a figura central é o indivíduo, qualquer indivíduo.

Então, para ele a mudança do centro de equilíbrio de Deus, passando pela Nação e pela Revolução até chegar ao ser humano, possibilitou da evolução da sociedade européia e uma longa paz. Ele cita vários exemplos de conflitos religiosos na África e no Oriente Médio, conflitos esses marcados não por um objetivo financeiro ou territorial mas pelo extermínio do inimigo, sendo as guerras religiosas marcadas pela busca da erradicação do adversário, enquanto que no caso do Nacionalismo, ocorre a clara busca por território e mercado, algo bem mais material. Nesta contexto, ele define a Guerra do Kosovo como um conflito religioso e não nacionalista e elogia a postura das tropas da OTAN que, segundo ele, apesar de possuir toda a localização topográfica do exército sérvio, optou pela negociação e poupou a vida de mais de 120 mil soldados, o que não aconteceria se a OTAN seguisse uma visão religiosa. É claro que tal postura da OTAN recebeu várias críticas pois acabou possibilitando várias denúncias de extermínio em uma tentativa de limpeza étnica.

Para ele, o movimento ecológico demonstra a importância do homem como figura mais importante e a vida de todos se torna importante, não só a dos europeus, como ocorria no caso no Nacionalismo, da Religião ou da Revolução, onde só os que pertencem ao mesmo grupo possuem algum direito de existir.

Por Márcio Alessando do Val

4 respostas

  1. Interessante. Também é interessante observar que, no momento em que o homem se torna a figura mais importante, e Ferry cita o exemplo da ecologia, ele deixa de ser, em outro sentido, o mais importante: a ecologia, hoje, considera justamente que sua finalidade não é o ser humano, mas sim a natureza. O ser humano só entra como finalidade por ser parte da natureza. Valeu a dica, vou procurar esse livro. 🙂

  2. Oi, LauraTudo bem?Pois é, será que com a Ecologia podemos pensar que o indivíduo saiu da posição central? Para onde estaríamos caminhando, então, nessa nova fase? Seria muita “forçação” ver um retorno ao pensamento grego, do “todo” nisso?

  3. Tudo bem, Fabio. E você?Não tinha pensado em um retorno ao pensamento grego… mas faz sentido. Não sei se seria forçar… depende de como se fizer isso. Acho que poderia ocorrer não um retorno, mas uma tentativa mais profunda de compreender o que os gregos antes de Sócrates e Platão pensavam. Só espero que caminhemos para fora desse individualismo, sim, pois, como você próprio disse uma vez, quanto mais se acredita que “há algo dentro do cofre”, tanto mais se quer tracá-lo a chaves e conservar o que há dentro… (ou algo assim, não lembro).Beijo!

  4. Oi, Laura. Tudo bem por aqui… Putz, você lembrou da metáfora do cofre com preciosidades! 🙂 Obrigado pela leitura atenta de sempre! Beijão

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