SEM ESPUMA

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enquanto finjo relaxar na água quente do banho
e umas duzentas crianças morrem de sede na Terra
pérolas me cantam ouvidos
tais quais:

até quando pessoas se resumirão
dentro ou fora da televisão
a nadadores pela nação
a nado
a nada
quebrando recordes
de outros nada-dores
agora lentos
anteri-ores
numa espiral infinita
de relógios mais precisos
pessoas mais especializadas
e nada especial
nada diferente
nada útil a nada
a brotar do nado?

mas no fundo
dessa piscina interior
algas me dizem que isso tudo
é porque estou de fora
seco
sórdido
perdido

e por estar perdido
tento em ondas
descobrir o óbvio

por não suportar
o peso do nada
quero leve o mundo

lave

lava

me levem

7 respostas

  1. Navegando por diversos blogs na internet, eis q me deparo com o seu! Poesia da mais alta qualidade! parabéns! Tbm escrevo e amo a poesia contida na palavra. Seu poema é forte e, ao mesmo tempo, cheio de lirismo. Caminhamos pela mesma estrada da poesia e é bom saber q não estou solitária nesse caminho.beijo gde

  2. Obrigado, Ana! Esse poema me fez um bem danado. Não sei da qualidade dele, pois poemas muito recentes tendo a achar maravilhas sempre [:)], só depois de alguns dias é que posso julgar melhor… (Mesmo assim, ultimamente tenho me permitido manter exposto até o que acho um “erro”, seguindo Leminski: “nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez”)Mas foi foi daqueles que trazem um efeito bom de desabafo, e acabam trazendo mais sentido a dias ruins. E o efeito bom melhora ainda mais sabendo que ele chegou em outros olhos e tocou outras almas estrangeiras…Beijos

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