VIA LÁCTEA

03be1 21 11 07 1744
Garimpar os dias
que a morte é certa

Tudo deveria ser fácil
no entanto
tanto atropelo
(medo
pelo
fuga)

Ansiolíticos não bastam

Garimpar os dias

Tudo deveria ser
como a paisagem
verde

Garimpar estrelas


onde a solidão
não é agonia

Após assistir ao belo filme VIA LÁCTEA. Segue um poema muito repetido no filme:

Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.”

Mário Chamie

2 respostas

  1. Lindo poema, poético filme. Esse eu sem dúvidas marcaria.Após uma tarde de lágrimas, volto a garimpar estrelas… e não há motivo para não querê-las! Que tristes os caminhos se não fossem sua distante presença :-)”Chuva InteriorQuando saia de casapercebeu que a chuvasoletravauma palavra sem nexona pedra da calçada.Não percebeuque percebiaque a chuva que chovianão choviana rua por ondeandava.Era a chuvaque traziade dentro de sua casa;era a chuvaque molhavao seu silênciomolhadona pedra que carregava.Um silênciofeito mina,explosivo sem palavra,quase um fio de conversano seu nexo de rotinaem cada esquinaque dobrava.Fora de casa,seco na calçada,percebeu que percebiano auge de sua raivaque a chuva não mais chovianas águas que imaginava.”Mário Chamie

  2. Que lindo, amor!!! Você captou bem o que eu quis dizer, e esse poema do filme é perfeito! Vou colar no próprio post ele…Beijos e que bom você ter melhorado hoje!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *